O medicamento Mounjaro, indicado para diabetes tipo 2 e usado também em tratamentos contra obesidade, terá aumento de preço no Brasil a partir deste mês. O reajuste, autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, pode tornar o acesso ainda mais restrito, sobretudo para pacientes de menor renda.
A fabricante Eli Lilly confirmou que aplicará o índice máximo permitido para medicamentos com baixa concorrência, o que inclui a tirzepatida. Com isso, o valor de fábrica do remédio pode chegar a até R$ 3.722,45, dependendo da dosagem, um aumento de até 1,13% em relação aos preços anteriores.
O aumento faz parte da política anual de regulação de preços definida pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), que estabelece limites máximos para comercialização no país. Apesar disso, o valor final ao consumidor pode variar, já que farmácias e distribuidores têm liberdade para definir os preços dentro do teto permitido.
No caso do Mounjaro, o enquadramento na categoria de baixa concorrência contribui para a manutenção de valores elevados. Diferentemente de outros medicamentos da mesma classe, como Ozempic e Wegovy, que ainda não tiveram reajuste confirmado, a tirzepatida segue com pouca oferta de alternativas no mercado brasileiro.

Tratamento de alto custo e uso crescente
O Mounjaro é um medicamento injetável de uso semanal, com doses que variam de 2,5 mg a 15 mg, conforme orientação médica. Ele atua no controle da glicemia e na redução de peso, sendo indicado principalmente para pacientes com diabetes tipo 2, obesidade ou sobrepeso associado a outras condições de saúde.
Especialistas alertam, no entanto, que o uso do medicamento deve ser restrito às indicações clínicas aprovadas. A popularização para fins estéticos, sem acompanhamento médico, pode trazer riscos à saúde, incluindo efeitos colaterais como náuseas, vômitos e até complicações mais graves, como pancreatite.
Acesso desigual preocupa especialistas
Com preços que podem ultrapassar milhares de reais por mês, o tratamento com Mounjaro segue distante da realidade da maior parte da população brasileira. O reajuste, ainda que pequeno em termos percentuais, reforça a tendência de que medicamentos inovadores permaneçam concentrados entre pacientes com maior poder aquisitivo.
A chegada de novas dosagens ao mercado amplia as possibilidades de tratamento individualizado, mas não resolve o principal desafio: tornar o acesso mais democrático em um cenário de altos custos e baixa concorrência.




