Em primeira celebração de Páscoa à frente da Igreja Católica, o Papa Leão XIV protagonizou um momento simbólico e de forte repercussão internacional ao dirigir uma mensagem aos fiéis em diversos idiomas, entre eles, o português. A celebração ocorreu neste domingo (5), no Vaticano, reunindo milhares de pessoas e reforçando o tom conciliador do novo pontífice.
Durante a tradicional bênção “Urbi et Orbi”, destinada “à cidade e ao mundo”, o papa destacou a importância da paz em meio a um cenário global marcado por conflitos armados e tensões geopolíticas. Ao final, ao desejar “boa Páscoa” em diferentes línguas, incluiu o português, gesto que repercutiu especialmente entre brasileiros.
Na homilia, o pontífice fez um apelo direto a líderes mundiais e à comunidade internacional para que abandonem a violência e priorizem o diálogo. Sem citar conflitos específicos, ele alertou para o que chamou de “globalização da indiferença” diante das guerras e de suas consequências humanas e sociais.
“Que aqueles que têm armas as deixem de lado. Que aqueles que têm o poder de iniciar guerras escolham a paz”, afirmou, reforçando a necessidade de soluções construídas por meio da negociação, e não da imposição.
A celebração reuniu cerca de 50 mil fiéis na Praça de São Pedro, em um cenário marcado por simbolismos religiosos e pela mensagem central da Páscoa: a esperança diante da morte e da adversidade. O papa também destacou que a fé deve ser um instrumento de transformação, especialmente em tempos de crise.
Mudança de tom e foco na esperança
Diferentemente de tradições anteriores, o discurso não detalhou conflitos específicos ao redor do mundo, optando por uma abordagem mais ampla e voltada à reflexão coletiva. A decisão chamou atenção por representar uma mudança de estilo em relação a mensagens anteriores do Vaticano.
Primeiro papa nascido nos Estados Unidos, Leão XIV tem adotado uma postura mais cautelosa em críticas diretas, mas vem ampliando a atuação em temas como guerra, desigualdade e justiça social. Sua mensagem de Páscoa reforça essa linha, ao enfatizar valores como empatia, diálogo e responsabilidade global.
O gesto de incluir o português na saudação final foi interpretado como um sinal de proximidade com países de língua portuguesa, especialmente o Brasil, que abriga a maior população católica do mundo.




