Um pesquisador brasileiro apresentou uma proposta inovadora que pode reduzir drasticamente o tempo de viagens até Marte. O físico Marcelo de Oliveira Souza desenvolveu um modelo de trajeto interplanetário capaz de encurtar a jornada para até 153 dias, menos da metade do tempo estimado pelos métodos tradicionais.
O estudo, iniciado em 2015 e retomado com apoio de inteligência artificial, sugere que é possível identificar rotas mais eficientes no espaço a partir da análise de asteroides com órbitas semelhantes às da Terra e do planeta vermelho.
Atualmente, missões até Marte podem levar entre dois e três anos considerando ida e volta. A proposta do pesquisador aponta que, em condições ideais, esse período poderia cair para um intervalo entre 153 e 226 dias, cerca de sete meses no cenário mais viável.
O diferencial do estudo está na identificação de chamados “corredores geométricos”, trajetórias naturais no espaço que permitem deslocamentos mais rápidos sem a necessidade de tecnologias de propulsão mais avançadas do que as já existentes.
Segundo Souza, esses caminhos são calculados a partir de dados orbitais iniciais de asteroides, que funcionam como referência para encontrar janelas de viagem mais eficientes.
Inteligência artificial foi decisiva
O projeto enfrentou limitações nos primeiros anos devido à falta de recursos computacionais. As simulações eram feitas manualmente, o que dificultava a obtenção de resultados mais precisos.
Com o avanço da inteligência artificial, o pesquisador conseguiu realizar análises mais complexas e validar novas possibilidades de trajeto. Essa mudança permitiu identificar cenários antes inacessíveis, ampliando o potencial da proposta.
Um dos períodos considerados mais favoráveis para aplicação da rota ocorre por volta de 2031, quando a posição de Marte em relação à Terra pode facilitar esse tipo de deslocamento.
Reconhecimento internacional
O estudo foi aceito para publicação na revista científica Acta Astronautica, ligada à Academia Internacional de Astronáutica, o que reforça a relevância da descoberta no meio acadêmico.
Desenvolvido fora dos grandes centros espaciais, o trabalho foi conduzido a partir da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), onde o pesquisador atua. A proposta é vista como uma alternativa promissora para futuras missões tripuladas, ao reduzir custos, tempo de viagem e exposição de astronautas a riscos prolongados no espaço.




