O avanço da Doença de Alzheimer no Brasil tem imposto novos desafios ao sistema de saúde, especialmente diante da chegada de tratamentos inovadores com alto custo. Um novo medicamento aprovado no país pode custar mais de R$ 11 mil por mês, valor que, na prática, torna o acesso inviável para a maior parte da população sem apoio do sistema público.
Dados recentes indicam que entre 1,2 milhão e 2 milhões de brasileiros convivem com a doença, considerada a principal causa de demência no mundo. Apenas em 2025, o Sistema Único de Saúde registrou mais de 56 milhões de atendimentos relacionados ao Alzheimer, evidenciando a pressão crescente sobre a rede pública.
O tratamento mais recente aprovado envolve o uso do lecanemabe, comercializado como Leqembi, um anticorpo monoclonal indicado para estágios iniciais da doença. O preço foi definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos e pode variar entre R$ 8.108,94 e R$ 11.075,62 por mês, dependendo da carga tributária.
A medicação foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em 2025 e deve chegar ao mercado brasileiro em 2026. No entanto, até o momento, não há previsão de incorporação ao SUS nem de cobertura obrigatória pelos planos de saúde.
Além do custo direto, o tratamento exige aplicação intravenosa a cada duas semanas, em ambiente hospitalar, e acompanhamento com exames frequentes, como ressonâncias magnéticas, o que eleva ainda mais o custo total.

Crescimento da doença preocupa especialistas
O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta principalmente áreas do cérebro ligadas à memória e ao raciocínio. Com o avanço da condição, pacientes passam a enfrentar perda de autonomia, desorientação e dificuldades para realizar tarefas básicas do dia a dia.
Estimativas apontam que cerca de 8,5% da população brasileira com mais de 60 anos vive com a doença, aproximadamente 1,8 milhão de pessoas. A projeção para 2050 é ainda mais alarmante, podendo chegar a 5,7 milhões de casos no país.
Especialistas destacam que o envelhecimento populacional é o principal fator por trás do aumento dos diagnósticos, embora hábitos de vida e condições de saúde também influenciem o desenvolvimento da doença.
Judicialização pode ser caminho para pacientes
Diante da ausência do medicamento na lista oficial de tratamentos do SUS, conhecida como RENAME, famílias têm recorrido à Justiça para garantir o acesso à terapia. O direito à saúde é assegurado pela Constituição, mas a inclusão de novos medicamentos depende de análise técnica da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS.
O órgão avalia critérios como eficácia, segurança e impacto financeiro. No caso do lecanemabe, o alto custo e a necessidade de estrutura especializada têm retardado a decisão.




