O governo federal anunciou, nesta segunda-feira (4), uma nova etapa do programa de renegociação de dívidas voltado à população de baixa e média renda. Batizado de “Novo Desenrola Brasil” ou “Desenrola 2.0”, o pacote mira brasileiros com renda mensal de até cinco salários mínimos, equivalente a R$ 8.105, e busca reduzir o nível de inadimplência no país, que atingiu patamares históricos.
A iniciativa foi formalizada por meio de medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e prevê a renegociação de até R$ 58 bilhões em débitos. O programa permitirá descontos que variam de 30% a 90% sobre o valor das dívidas, além de juros limitados a 1,99% ao mês e parcelamento em até quatro anos.
O novo modelo abrange diferentes tipos de débitos, como cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e financiamento estudantil (Fies). Uma das principais novidades é a possibilidade de utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar parte das dívidas.
Pelas regras, o trabalhador poderá usar até 20% do saldo disponível no FGTS ou até R$ 1 mil, prevalecendo o valor mais alto. Os recursos serão transferidos diretamente para as instituições financeiras credoras, garantindo que o dinheiro seja efetivamente destinado à quitação dos débitos.
A expectativa do governo é liberar até R$ 8,2 bilhões por meio dessa modalidade, ampliando o alcance do programa e facilitando o acesso ao crédito com condições mais favoráveis.
Endividamento recorde impulsiona medida
O lançamento ocorre em meio a um cenário de forte pressão sobre o orçamento das famílias. Dados do Banco Central indicam que o endividamento atingiu 49,9% da renda anual em fevereiro, o maior nível da série histórica iniciada em 2005. Já o comprometimento mensal da renda com dívidas chegou a 29,7%.
Diante desse contexto, o programa busca reequilibrar as finanças das famílias e reintroduzir milhões de brasileiros no sistema de crédito formal. A estimativa do governo é que a iniciativa alcance cerca de 20 milhões de pessoas apenas na modalidade voltada às famílias.
Regras e condicionantes
Para participar, é necessário ter dívidas contraídas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos. O valor máximo por pessoa, já considerando os descontos, será de até R$ 15 mil.
Outro ponto que chama atenção é a imposição de restrições comportamentais: beneficiários que aderirem ao programa ficarão impedidos de acessar plataformas de apostas online por um período de um ano. A medida, segundo o governo, busca evitar o agravamento do endividamento.
Além de aliviar o orçamento das famílias, o governo avalia que o programa pode estimular o consumo e movimentar a economia. Ao reduzir dívidas consideradas de difícil recuperação, bancos e instituições financeiras também passam a recuperar parte desses valores, o que pode ampliar a oferta de crédito.




