A Receita Federal do Brasil surpreendeu contribuintes ao encurtar o prazo de entrega da declaração do Imposto de Renda 2026. Neste ano, o período para envio começou apenas em 23 de março e segue até 29 de maio, reduzindo a janela tradicional para prestação de contas.
A mudança impacta diretamente milhões de brasileiros obrigados a declarar, que agora têm menos tempo para reunir documentos, preencher informações e evitar erros que podem levar à malha fina.
De acordo com a instrução normativa publicada no Diário Oficial da União, o envio da declaração teve início às 8h do dia 23 de março e se encerra às 23h59 do dia 29 de maio. Em comparação, em 2025 o prazo começou em 17 de março e terminou em 30 de maio, oferecendo alguns dias extras aos contribuintes.
Quem perder o prazo está sujeito a multa de 1% ao mês sobre o imposto devido, mesmo que já tenha quitado o valor. A penalidade mínima é de R$ 165,74 e pode chegar a até 20% do total devido.
Devem declarar o Imposto de Renda aqueles que, ao longo de 2025, receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584, incluindo salários, aposentadorias, pensões e aluguéis.
Restituição e prioridade no pagamento
A antecipação no envio também influencia diretamente o calendário de restituições. Segundo a Receita, quem entrega primeiro, sem erros, tem mais chances de receber nos primeiros lotes, desde que respeitados os critérios legais de prioridade.
Entre os grupos prioritários estão idosos acima de 80 anos, pessoas com mais de 60 anos, contribuintes com deficiência ou doença grave e profissionais cuja principal fonte de renda seja o magistério. Também ganham vantagem aqueles que utilizam a declaração pré-preenchida e optam por receber via Pix.
O calendário de restituições foi dividido em quatro lotes, com pagamentos previstos para 29 de maio, 30 de junho, 31 de julho e 28 de agosto. A consulta ao primeiro lote deve ser liberada cerca de uma semana antes do pagamento.
Risco maior de malha fina exige atenção
Especialistas alertam que o risco de cair na malha fina aumentou em 2026 devido à mudança no sistema de cruzamento de dados. A Receita passou a utilizar informações do eSocial e da EFD-Reinf, substituindo a antiga Dirf, o que pode gerar inconsistências caso empresas ou órgãos públicos informem dados incorretos.
Nesses casos, a recomendação é que o contribuinte procure a fonte pagadora para corrigir as informações antes de enviar a declaração.
Até o início de maio, mais de 18,9 milhões de declarações já haviam sido entregues, o equivalente a 43,1% do total esperado de 44 milhões. Desse volume, a maioria terá direito à restituição, enquanto parte dos contribuintes ainda precisará pagar imposto ou não terá valores a ajustar.



