A Rússia iniciou nesta terça-feira uma série de exercícios militares envolvendo forças nucleares estratégicas em diferentes regiões do país. As manobras, que seguem até 21 de maio, mobilizam mais de 65 mil soldados e cerca de 7,8 mil equipamentos militares, incluindo submarinos nucleares, navios, aviões e mais de 200 lançadores de mísseis.
O anúncio foi feito pelo Ministério da Defesa russo em meio ao aumento das tensões com a Ucrânia e poucos meses após o colapso definitivo do tratado nuclear New START, último grande acordo de controle de armas entre Moscou e Washington.
Segundo o governo russo, os treinamentos simulam cenários de “ameaça de agressão” contra o território do país e incluem testes de lançamento de mísseis balísticos e de cruzeiro.
Pela primeira vez, os exercícios nucleares incluem treinamentos conjuntos em Belarus, aliado estratégico de Moscou e país que faz fronteira com membros da OTAN.
O Ministério da Defesa russo confirmou que parte das operações envolve “preparação conjunta e uso de armas nucleares” posicionadas em território belarusso.
Analistas militares europeus apontam que esse é um dos elementos mais sensíveis da operação. A Rússia já posicionou no país o míssil Oreshnik, capaz de transportar ogivas nucleares.

Putin reforça discurso nuclear
Ao longo da guerra na Ucrânia, o presidente russo Vladimir Putin intensificou declarações sobre o poderio nuclear do país e afirmou recentemente que o fortalecimento das forças atômicas é uma “prioridade absoluta”.
Os exercícios começaram poucas horas antes da viagem oficial de Putin à China, onde o líder russo terá reuniões estratégicas com o governo chinês.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy afirmou nos últimos dias que Moscou pode preparar uma nova ofensiva militar a partir de Belarus.
Diante do cenário, Kiev reforçou posições militares na fronteira norte do país, especialmente após recentes ataques de drones ucranianos em território russo.
Especialistas, porém, afirmam que exercícios nucleares dessa dimensão exigem meses de preparação e provavelmente não são resposta direta aos ataques recentes.
Mundo acompanha aumento da tensão
O fim do tratado New START em fevereiro liberou oficialmente Rússia e Estados Unidos de uma série de limitações sobre armamentos estratégicos nucleares.
Mesmo afirmando que manterá uma postura “responsável” sobre armas atômicas, Moscou ampliou nos últimos meses demonstrações públicas de força militar, incluindo testes de novos mísseis de longo alcance com capacidade nuclear.
A movimentação aumenta a preocupação internacional em torno da escalada da guerra e do uso político do arsenal nuclear russo em meio ao conflito no Leste Europeu.




