O governo federal confirmou que segue estudando a implementação da chamada Tarifa Zero no transporte público em todo o país. A proposta, que vem sendo debatida dentro do Palácio do Planalto, prevê uma reestruturação do financiamento da mobilidade urbana para permitir gratuidade em ônibus, metrôs e outros sistemas coletivos.
A informação foi confirmada pelo ministro das Cidades, Jader Filho, durante participação no programa “Bom Dia, Ministro”. Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que o tema poderá integrar oficialmente o programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026, dentro de um projeto que vem sendo chamado de “SUS do Transporte Público”.
A proposta ganhou força após estudos indicarem que a gratuidade pode ter efeitos diretos no consumo das famílias, na economia urbana e na redução das desigualdades sociais.
Pesquisa desenvolvida pela Universidade de Brasília aponta que a implementação da Tarifa Zero nas 27 capitais brasileiras e em suas regiões metropolitanas teria potencial para movimentar cerca de R$ 60,3 bilhões por ano na economia nacional.
Segundo os pesquisadores, considerando gratuidades já existentes em parte dos sistemas, a injeção líquida seria de aproximadamente R$ 45,6 bilhões anuais circulando nas cidades.
O levantamento sustenta que a política pública funcionaria como mecanismo de distribuição de renda, já que milhões de trabalhadores deixariam de comprometer parte significativa do orçamento com deslocamentos diários.
Em algumas cidades brasileiras, o gasto com transporte chega a ultrapassar 25% da renda dos 40% mais pobres da população, especialmente em regiões periféricas e metropolitanas.
Com a gratuidade, o dinheiro atualmente destinado às passagens poderia ser redirecionado para alimentação, consumo, lazer, educação e qualificação profissional, estimulando o comércio local e a geração de empregos.
Governo vê dificuldade para implantar medida ainda em 2026
Apesar do avanço das discussões, o governo federal já avalia que não há tempo político e fiscal suficiente para implementar a medida antes das eleições de 2026.
Segundo apuração da imprensa nacional, o entorno de Lula considera que a agenda econômica e social do próximo ano está sobrecarregada por outras prioridades, como propostas para redução da jornada de trabalho, combate ao endividamento da população, discussão da PEC da Segurança Pública e debates envolvendo tributação de importações.
Além disso, integrantes do governo reconhecem que o principal desafio da Tarifa Zero é justamente o financiamento do sistema. Estimativas apontam que uma política nacional de gratuidade poderia custar mais de R$ 80 bilhões por ano aos cofres públicos.
Por isso, a proposta defendida pelo Planalto envolve mudanças estruturais no modelo atual de custeio do transporte coletivo, incluindo novas fontes permanentes de financiamento, integração entre estados e municípios e maior participação da União.
Especialistas defendem melhoria do sistema junto da gratuidade
Especialistas em mobilidade urbana afirmam que a Tarifa Zero precisaria vir acompanhada de investimentos em infraestrutura, renovação de frota e melhoria da qualidade do serviço.
A avaliação é que apenas retirar a cobrança da passagem sem ampliar capacidade e eficiência poderia gerar sobrecarga nos sistemas de transporte.
Outro ponto destacado é o potencial ambiental da proposta. Com transporte público gratuito e mais atrativo, a expectativa é reduzir o uso de carros particulares, diminuindo congestionamentos e emissão de poluentes nas grandes cidades.
No Congresso Nacional, o tema já começou a ganhar espaço. O presidente da Câmara, Hugo Motta, chegou a sinalizar apoio à criação de uma subcomissão para discutir alternativas de financiamento para o setor.




