Os carros populares continuam sendo os principais alvos de roubos e furtos no Brasil. Dados do Índice de Veículos Roubados (IVR), divulgado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), mostram que modelos com ampla circulação e peças de fácil revenda lideram os registros de ocorrências em diferentes regiões do país.
Entre os veículos mais visados pelos criminosos, o destaque fica para o Volkswagen Gol, apontado como líder nacional no ranking de roubos e furtos.
A presença histórica do modelo nas ruas brasileiras, aliada à alta procura por peças no mercado paralelo, ajuda a explicar o volume elevado de ocorrências envolvendo o automóvel.
Além do Gol, outros veículos bastante populares aparecem entre os mais roubados do país.
O Hyundai HB20 também figura entre os principais alvos, especialmente no estado de São Paulo. Segundo os levantamentos, o crescimento da frota do modelo e a forte demanda por peças contribuíram para o aumento das ocorrências.
Outro destaque é o Chevrolet Onix, um dos carros mais vendidos do país nos últimos anos. Mesmo com leve redução nos índices recentes, o veículo segue entre os mais procurados por criminosos devido à grande circulação nacional.
O tradicional Fiat Uno também permanece no ranking, principalmente em cidades médias e pequenas. Especialistas apontam que a simplicidade mecânica e a grande quantidade de unidades em circulação facilitam tanto o furto quanto o desmanche ilegal.
A lista ainda inclui modelos como:
- Ford Ka
- Fiat Palio
- Fiat Siena
- Volkswagen Voyage
- Chevrolet Corsa
- Fiat Argo
Segundo o IVR, todos têm em comum a manutenção acessível, ampla circulação e facilidade de revenda de componentes.
Furtos cresceram mais de 120% em dez anos
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que o Brasil registrou crescimento expressivo nos crimes patrimoniais envolvendo veículos entre 2014 e 2024.
Os roubos de veículos tiveram alta de 8,14% no período, passando de 117.141 para 126.675 ocorrências.
Já os furtos apresentaram crescimento ainda maior: avanço de 121%, saltando de 98.628 casos para 217.921 registros.
O auge da criminalidade veicular ocorreu entre 2016 e 2018. Em 2016, o país registrou mais de 272 mil roubos e quase 279 mil furtos de veículos.
A partir de 2019, os números começaram a recuar. Em 2020, durante a pandemia da Covid-19, os índices diminuíram significativamente em razão das medidas de isolamento social e da redução na circulação de pessoas.
Com a retomada das atividades econômicas em 2021, porém, os crimes voltaram a crescer em diversas regiões do país.
São Paulo lidera registros
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o estado de São Paulo concentrou o maior número de ocorrências em 2024.
Foram registrados:
- 31.696 roubos de veículos;
- 93.996 furtos.
Na sequência aparecem:
- Rio de Janeiro: 30.930 roubos e 17.337 furtos;
- Pernambuco: 11.687 roubos e 7.348 furtos;
- Bahia: 11.131 roubos e 6.690 furtos.
Na outra ponta, Amapá registrou os menores índices nacionais, com 166 roubos e 381 furtos de veículos.
Roraima também apresentou baixos números de roubos, com 243 ocorrências, embora tenha registrado 643 furtos no mesmo período.
Diferença entre roubo e furto
Especialistas lembram que roubo e furto possuem diferenças jurídicas importantes.
O roubo ocorre quando há ameaça ou violência contra a vítima durante a subtração do veículo. A pena prevista varia de quatro a dez anos de prisão.
Já o furto acontece sem contato direto ou violência, como nos casos em que o veículo é levado sem a presença do proprietário. Nesse caso, a pena prevista é de um a quatro anos de reclusão.




