O Reino Unido aprovou uma das medidas antitabagistas mais rígidas do mundo ao decidir que pessoas nascidas a partir de 1º de janeiro de 2009 nunca poderão comprar cigarros legalmente no país. A nova legislação, que aguarda apenas a sanção do rei Charles III.
Diferentemente do modelo britânico, o Brasil não prevê uma proibição total da venda de cigarros. No entanto, estudos recentes indicam que o país deve atingir as metas nacionais de redução do tabagismo nos próximos anos, impulsionado por campanhas de saúde pública e mudanças de comportamento da população.
A proposta aprovada no Reino Unido estabelece que a idade mínima para compra de cigarros e produtos derivados do tabaco aumentará progressivamente ano após ano a partir de 2027. Na prática, isso significa que os jovens que não completarem 18 anos antes dessa data jamais poderão adquirir cigarros legalmente.
Além da restrição geracional, a legislação britânica endurece regras para cigarros eletrônicos e amplia as áreas livres de fumaça, incluindo espaços públicos ao ar livre, como playgrounds infantis, áreas próximas a escolas e hospitais.
Brasil projeta queda no tabagismo até 2030
Enquanto o Reino Unido aposta em uma medida radical, o Brasil segue um caminho baseado em metas de saúde pública e redução gradual do consumo. Um estudo publicado na revista científica The Lancet Regional Health aponta que o país deverá alcançar os objetivos nacionais de combate ao tabagismo até 2030.
A pesquisa foi conduzida por especialistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com o Ministério da Saúde e utilizou dados de mais de 643 mil adultos entrevistados pelo Vigitel entre 2009 e 2023.
O levantamento faz parte do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas e Agravos Não Transmissíveis no Brasil, que estabelece como meta reduzir o consumo de tabaco em 40% até o fim da década.
Segundo os pesquisadores, o país também deverá atingir os objetivos de redução do consumo regular de bebidas açucaradas. Em contrapartida, indicadores ligados à obesidade, diabetes, hipertensão e consumo abusivo de álcool tendem a piorar nos próximos anos.
Tabagismo ainda provoca milhões de mortes
Dados internacionais reforçam o impacto do cigarro na saúde pública mundial. Segundo estimativas globais, o tabaco mata mais de 7 milhões de pessoas por ano, incluindo cerca de 1,6 milhão de não fumantes expostos ao fumo passivo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta ainda que aproximadamente 80% dos 1,3 bilhão de usuários de tabaco vivem em países de média e baixa renda.
No Brasil, especialistas destacam que políticas como restrições à publicidade, ambientes livres de fumaça, aumento de impostos e campanhas educativas ajudaram a reduzir significativamente o número de fumantes nas últimas décadas.




