A lesão muscular de grau dois sofrida por Neymar às vésperas da Copa do Mundo reacendeu uma das lembranças mais marcantes da história recente da Seleção Brasileira: o corte de Romário do Mundial de 1998. Embora a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) mantenha confiança na recuperação do camisa 10, o histórico vivido pelo “Baixinho” na França transformou a situação atual em motivo de preocupação dentro e fora da delegação.
Convocado por Carlo Ancelotti para disputar a Copa do Mundo de 2026, Neymar precisará ficar afastado das atividades por até três semanas por conta de uma lesão na panturrilha direita. A informação foi confirmada pelo médico da Seleção, Rodrigo Lasmar, durante entrevista coletiva nesta quinta-feira (28).
Segundo a comissão técnica, a prioridade é intensificar o tratamento nos próximos dias e repetir os exames de imagem em 12 de junho, já em Nova Jersey, nos Estados Unidos, cidade-base do Brasil durante o torneio. Até o momento, a CBF não trabalha com hipótese de corte.
Drama de Romário em 1998 volta à memória
A situação de Neymar inevitavelmente remete ao caso de Romário antes da Copa do Mundo de 1998. Na época, o atacante também sofreu uma lesão na panturrilha dias antes da estreia da Seleção Brasileira na França.
Em 31 de maio daquele ano, já integrado à delegação brasileira, Romário demonstrava confiança na recuperação e garantia presença no torneio. Menos de 24 horas depois, no entanto, exames complementares fizeram a comissão técnica acender o sinal de alerta.

Apesar do otimismo inicial do atacante, novas ressonâncias magnéticas apontaram que a lesão era mais grave do que se imaginava. O corte acabou confirmado pouco depois, em uma das decisões mais polêmicas da história da Seleção.
Romário chegou a declarar que não esperava ficar fora do Mundial. Segundo ele, o primeiro exame apontava apenas um edema discreto, mas uma nova avaliação médica identificou uma lesão mais séria, inviabilizando a recuperação a tempo da competição.
A ausência do camisa 11 marcou profundamente a campanha brasileira naquela Copa, encerrada com o vice-campeonato após derrota para a França na final.
Fifa estabelece prazo limite para substituições
No caso de Neymar, a situação ainda permanece em aberto. O regulamento da Fifa permite substituições na lista oficial apenas até 24 horas antes da estreia da seleção na Copa do Mundo, desde que a entidade reconheça a gravidade da lesão.
Para o Brasil, o prazo final será o dia 12 de junho, às 19h (de Brasília), um dia antes da partida contra Marrocos, marcada para o MetLife Stadium.
Conforme o artigo 24 do regulamento, qualquer substituição precisa ser aprovada pelo Comitê Médico da Fifa, responsável por analisar os documentos enviados pela confederação e verificar se o atleta realmente não possui condições de disputar o torneio.
Caso a Seleção opte por manter Neymar entre os convocados após o prazo, o atacante poderá permanecer inscrito mesmo sem condições ideais de jogo, o que aumenta a pressão sobre a recuperação médica nos próximos dias.
Internamente, a avaliação é de cautela. Embora a lesão seja considerada moderada, o histórico recente do atacante e o curto tempo até a estreia tornam o acompanhamento diário decisivo para definir o futuro do jogador na competição.



