A capital da Bolíia, La Paz, amanheceu praticamente sem transporte público após motoristas iniciarem uma greve por tempo indeterminado nesta quarta-feira (27). A paralisação ocorre em meio a uma onda de protestos e bloqueios espalhados pelo país, agravando a crise de abastecimento e aumentando a pressão sobre o governo do presidente Rodrigo Paz.
Além da suspensão do transporte coletivo, diversos pontos estratégicos da cidade foram bloqueados por motoristas e manifestantes. A interrupção da circulação afetou trabalhadores, estudantes e moradores, que passaram a enfrentar longas caminhadas e filas nos teleféricos urbanos, principal alternativa de deslocamento em algumas regiões da cidade.
Segundo dados da Administradora Boliviana de Carreteras (ABC), a Bolívia registra atualmente 64 pontos de bloqueio em seis departamentos. O departamento de La Paz concentra o maior número de interrupções, com 22 trechos fechados. Na sequência aparecem Potosí, Cochabamba, Oruro, Chuquisaca e Santa Cruz.
Greve amplia crise de combustível e abastecimento
Os motoristas afirmam que o governo não cumpriu acordos relacionados ao ressarcimento por prejuízos causados pela gasolina subsidiada e denunciam problemas constantes no abastecimento de combustíveis. A escassez se intensificou nas últimas semanas devido aos protestos de movimentos sociais e bloqueios em rodovias.
Na terça-feira, a estatal responsável pelo abastecimento enviou cerca de 1,1 milhão de litros de combustível para La Paz e El Alto, mas a quantidade não foi suficiente para atender à demanda.
O secretário executivo da Federação Departamental de Choferes Primero de Mayo, Edson Valdez, afirmou que os acordos firmados anteriormente não foram cumpridos. Segundo ele, menos de 5% dos ressarcimentos prometidos foram pagos até agora.
O ministro de Obras Públicas, Mauricio Zamora, anunciou que pretende convocar representantes do setor para uma reunião emergencial. Apesar disso, os líderes dos transportes afirmaram que não irão suspender a greve enquanto o governo não apresentar soluções definitivas.
Hospitais alertam para falta de oxigênio e medicamentos
A crise também já atinge o sistema de saúde boliviano. Médicos e profissionais da área realizaram manifestações em La Paz para pedir o desbloqueio das estradas e o fim dos protestos.
Segundo representantes do setor, hospitais públicos começam a enfrentar escassez de medicamentos, alimentos e até oxigênio medicinal. O presidente do Colégio Médico de La Paz, Luis Larrea, afirmou que a situação se tornou crítica.
De acordo com Fernando Romero, dirigente da categoria médica, algumas unidades consomem mais de 30 cilindros de oxigênio por dia e os estoques atuais poderiam durar menos de uma semana caso os bloqueios continuem.
Protestos aumentam pressão política sobre o governo
As mobilizações fazem parte de uma paralisação convocada há quase um mês pela Central Obrera Boliviana (COB), que exige respostas do governo para a crise econômica e também cobra a renúncia de Rodrigo Paz.
Os motoristas, no entanto, afirmam que não pretendem transformar a paralisação em um movimento político, apesar de apoiarem reivindicações ligadas à economia e ao abastecimento.



