A explosão de um foguete New Glenn da Blue Origin, registrada nesta quinta-feira (28) em Cabo Canaveral, na Flórida, pode atrasar os planos da NASA de levar astronautas novamente à Lua e iniciar a construção de uma base lunar permanente nos próximos anos.
O acidente aconteceu durante um teste estático dos motores da aeronave, ainda na plataforma de lançamento localizada no complexo espacial utilizado pela agência americana. Segundo a empresa, ninguém ficou ferido.
A explosão ocorreu poucos dias após a NASA anunciar novos contratos ligados ao programa Artemis e reforçar a meta de estabelecer uma presença permanente no polo sul lunar. Antes do acidente, a agência trabalhava com projeções mais otimistas para missões tripuladas até o fim da década. Agora, autoridades americanas admitem que o cronograma precisará passar por nova avaliação.
O administrador da NASA, Jared Isaacman, afirmou que o impacto do acidente será analisado detalhadamente antes da definição dos próximos passos do programa Artemis.
Segundo ele, missões espaciais de grande porte envolvem riscos elevados e exigem investigações rigorosas após qualquer falha técnica.
O foguete destruído seria utilizado em futuras operações da Blue Origin para a Lua, incluindo missões ligadas à construção da chamada “Moon Base”, um ambicioso projeto estimado em US$ 20 bilhões para criar uma estrutura permanente no satélite natural da Terra.
A primeira missão da base lunar, chamada Moon Base 1, estava prevista para acontecer já em 2026 com o módulo Blue Moon Mark 1 “Endurance”, desenvolvido pela empresa de Jeff Bezos.
Plataforma destruída pode atrasar lançamentos por meses
Além do foguete, a explosão causou danos severos à plataforma LC-36, única instalação no mundo preparada para lançar o New Glenn. Imagens registradas após o acidente mostraram até mesmo a queda de uma das torres de proteção contra raios do complexo.
Especialistas do setor espacial avaliam que a reconstrução e recertificação da base de lançamento podem levar meses, o que compromete diretamente o calendário da Blue Origin.
A empresa já enfrentava dificuldades recentes. No mês passado, uma carga transportada pelo New Glenn acabou colocada em órbita incorreta, levando a FAA a suspender temporariamente os voos do foguete.
Artemis enfrenta nova pressão
O programa Artemis representa o principal esforço dos Estados Unidos para retornar à Lua desde as missões Apollo, encerradas em 1972. A meta da NASA é estabelecer missões frequentes ao polo sul lunar e preparar futuras viagens tripuladas para Marte.
A Blue Origin disputa espaço nesse projeto diretamente com a SpaceX, de Elon Musk, que também fornece veículos e sistemas para operações lunares.
O acidente aumenta a pressão sobre o cronograma americano, especialmente porque os veículos lunares que serão usados por astronautas na superfície da Lua deveriam ser enviados ao espaço até 2028 em foguetes da Blue Origin.
Mesmo antes da explosão, parte da comunidade científica já considerava difícil cumprir a meta de uma nova missão tripulada à Lua até 2030.
Impacto também atinge projeto rival da Starlink
O foguete destruído também seria responsável por lançar 48 satélites da rede Amazon Leo, projeto criado para competir com a Starlink.
A constelação de internet da Amazon ainda enfrenta atraso significativo em relação à Starlink, que já possui mais de 10 mil satélites em órbita.
Pelas regras da FCC, a Amazon precisa colocar metade dos 3.236 satélites previstos em operação até julho de 2026. Atualmente, a empresa ainda está mais de 1.300 satélites abaixo da meta exigida.



