Uma força-tarefa nacional contra a falsificação e adulteração de café resultou na apreensão de mais de 82 mil quilos de produtos irregulares e na interdição de 19 estabelecimentos ligados à produção e comercialização do produto no Brasil.
A operação ocorreu entre os dias 25 e 28 de maio e teve como foco retirar do mercado itens vendidos como café puro, mas com suspeitas de baixa qualidade ou composição fora dos padrões exigidos pela legislação.
A ação foi coordenada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em conjunto com a Secretaria Nacional do Consumidor, vinculada ao Ministério da Justiça, além de Procons estaduais e municipais e da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).
As fiscalizações ocorreram simultaneamente em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Paraná, Espírito Santo e no Distrito Federal.

Alta do café impulsionou avanço dos chamados “cafés fake”
Ao todo, 84 locais foram fiscalizados, o que significa que aproximadamente um terço dos estabelecimentos vistoriados acabou interditado.
Segundo os órgãos envolvidos, o aumento expressivo no preço do café nos últimos meses contribuiu para o crescimento dos chamados “cafés fake”, produtos vendidos como café tradicional, mas que apresentam desconformidades ou ingredientes adicionados para ampliar artificialmente o volume comercializado.
Entre as irregularidades identificadas estão excesso de impurezas, presença de matérias estranhas e uso de ingredientes não autorizados, como milho e cevada.
Pelas regras brasileiras, o limite tolerado para impurezas naturais da lavoura, como fragmentos de cascas e paus, é de até 1%, sendo proibida qualquer adulteração intencional do produto.
Além de representar prejuízo financeiro para o consumidor, os órgãos alertam que armazenamento inadequado e matérias-primas fora dos padrões podem favorecer o surgimento de fungos e toxinas potencialmente prejudiciais à saúde.
Como o consumidor pode identificar possíveis fraudes
As autoridades reforçam que os casos encontrados são considerados pontuais e não representam a maior parte da produção nacional de café.
Para reduzir o risco de comprar produtos irregulares, especialistas e entidades do setor recomendam:
- desconfiar de preços muito abaixo da média do mercado;
- verificar informações sobre fabricante, origem e composição na embalagem;
- ler atentamente o rótulo;
- observar termos como “bebida à base de café” ou “pó sabor café”, que podem indicar produtos diferentes do café puro;
- buscar selos de qualidade reconhecidos.
A ABIC também disponibiliza o aplicativo ABICafé, que permite consultar informações do produto por meio do QR Code ou código de barras da embalagem.



