A obrigação anual de preencher a declaração do Imposto de Renda poderá estar com os dias contados no Brasil. O Ministério da Fazenda anunciou que trabalha para implementar um sistema totalmente automatizado que permitirá aos contribuintes apenas conferir e validar as informações reunidas pela Receita Federal, eliminando a necessidade de preenchimento manual do documento.
A previsão foi apresentada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que afirmou que a mudança poderá se tornar realidade em um prazo de dois a três anos. Segundo ele, o avanço será possível graças à integração de dados já enviados regularmente ao Fisco por bancos, empresas, planos de saúde, seguradoras e outras instituições.
A proposta não prevê o fim do Imposto de Renda, mas sim o encerramento do modelo atual de declaração feita pelos próprios cidadãos.
A iniciativa começou a ganhar forma ainda em março, quando o Ministério da Fazenda solicitou à Receita Federal o desenvolvimento de uma plataforma capaz de consolidar automaticamente as informações financeiras dos contribuintes.
Pela proposta em estudo, o sistema utilizará dados de notas fiscais eletrônicas, rendimentos informados por empregadores, despesas médicas, movimentações bancárias e demais informações já disponíveis nos bancos de dados oficiais.
O contribuinte precisará apenas acessar a plataforma digital, verificar se os dados estão corretos e confirmar eletronicamente as informações. Caso concorde com os registros apresentados, a declaração será considerada concluída.
Primeiro passo já foi dado em 2026
De acordo com o ministro, parte dessa transformação já começou neste ano. Cerca de quatro milhões de contribuintes que estavam dispensados da obrigação de declarar receberam restituições automaticamente por meio do Pix.
A equipe econômica pretende ampliar esse modelo gradualmente, alcançando um número maior de brasileiros nos próximos anos.
A expectativa do governo é reduzir a burocracia e eliminar um dos processos que tradicionalmente geram dúvidas e preocupações para milhões de contribuintes durante o período de entrega das declarações.
Mudança pode reduzir casos de malha fina
Os técnicos envolvidos no projeto avaliam que a automatização também deverá diminuir significativamente os erros de preenchimento, uma das principais causas das retenções na malha fina.
Atualmente, boa parte das pendências ocorre por divergências em despesas médicas, informações de dependentes ou omissão de rendimentos. Com os dados sendo obtidos diretamente das bases oficiais, a tendência é que essas inconsistências sejam reduzidas.
Segundo o governo, o modelo permitirá que a fiscalização deixe de atuar apenas de forma corretiva e passe a funcionar de maneira mais preventiva e colaborativa.
Receita continua recebendo declarações e retificações
Enquanto a mudança não entra em vigor, os contribuintes continuam obrigados a cumprir as regras atuais. A Receita Federal reabriu o sistema para envio de declarações em atraso e também para retificações referentes ao Imposto de Renda 2026.
Neste ano, o órgão recebeu 44,49 milhões de declarações dentro do prazo regulamentar. Quem não entregou os dados está sujeito a multa de 1% ao mês sobre o imposto devido, com valor mínimo de R$ 165,74 e limite de até 20% do tributo.
A Receita segue recomendando o uso da declaração pré-preenchida, ferramenta que já funciona como uma etapa intermediária rumo à automação completa. Mesmo nesse modelo, porém, a responsabilidade pela conferência das informações continua sendo do contribuinte.



