A Copa do Mundo de 2026 marcará a estreia de uma nova regra voltada ao combate ao racismo e à discriminação nos gramados. Batizada popularmente de “Lei Vini Jr.”, a medida foi aprovada pela FIFA e pela IFAB (International Football Association Board) e permitirá a expulsão de atletas que cobrirem a boca para ocultar insultos racistas, homofóbicos ou qualquer outro tipo de manifestação discriminatória durante confrontos em campo.
A decisão foi oficializada em 28 de abril de 2026, durante uma reunião extraordinária realizada em Vancouver, no Canadá. A regra poderá ser adotada pelas competições filiadas à FIFA e estará presente no Mundial que será disputado nos Estados Unidos, México e Canadá.
O nome da medida faz referência ao atacante brasileiro Vinícius Júnior, que nos últimos anos se tornou um dos principais símbolos da luta contra o racismo no futebol após sofrer diversos episódios de discriminação durante partidas do Campeonato Espanhol.
A discussão ganhou força após um episódio envolvendo Vinícius Júnior e o argentino Gianluca Prestianni em uma partida entre Real Madrid e Benfica pela Liga dos Campeões.
Na ocasião, o jogador argentino foi acusado de utilizar termos racistas contra o brasileiro após cobrir a boca com a camisa enquanto se dirigia ao adversário. Segundo a denúncia, ele teria chamado Vinícius de “mono”, termo ofensivo equivalente a “macaco” em espanhol.
Após investigação, a UEFA aplicou suspensão de seis partidas ao atleta por conduta discriminatória. O episódio passou a ser citado como exemplo da necessidade de mecanismos mais rígidos para identificar e punir esse tipo de comportamento.

Cartão vermelho poderá ser aplicado imediatamente
Pelas novas diretrizes aprovadas pela IFAB, qualquer jogador que cobrir a boca durante uma situação de confronto com um adversário para ocultar ofensas discriminatórias poderá receber cartão vermelho.
A entidade explicou que a aplicação dependerá do regulamento de cada competição, mas os organizadores já estão autorizados a adotar a medida imediatamente.
O objetivo é dificultar práticas que busquem esconder insultos racistas, homofóbicos ou xenofóbicos das câmeras, dos árbitros e dos demais participantes da partida.
Mundial também terá combate à cera
Além da chamada “Lei Vini Jr.”, a Copa de 2026 contará com mudanças para reduzir a perda de tempo durante os jogos.
Nos laterais e tiros de meta, os árbitros poderão iniciar uma contagem regressiva visual de cinco segundos quando considerarem que um atleta está demorando excessivamente para recolocar a bola em jogo.
Caso o tempo se esgote:
- O lateral passará para a equipe adversária;
- O tiro de meta será convertido em escanteio para o rival.
A medida busca aumentar o tempo efetivo de bola rolando e diminuir interrupções consideradas estratégicas.
Abandono de campo também poderá gerar expulsão
Outra alteração aprovada pela FIFA prevê punições mais severas para jogadores ou membros da comissão técnica que abandonarem o gramado em protesto contra decisões da arbitragem.
O árbitro poderá aplicar cartão vermelho aos envolvidos, e equipes que provocarem a interrupção ou abandono de uma partida poderão ser declaradas derrotadas por WO.
A mudança foi impulsionada após episódios recentes em competições internacionais, incluindo a final da Copa Africana de Nações, quando uma seleção deixou o campo em protesto contra uma decisão da arbitragem.




