O Bradesco confirmou o fechamento da única agência bancária existente em Macururé, município de 7,2 mil habitantes localizado no Vale do São Francisco, na Bahia. O encerramento das atividades está previsto para a próxima sexta-feira (19) e obrigará os mais de 2 mil clientes da instituição a buscarem atendimento em Chorrochó, cidade distante cerca de 34 quilômetros.
A decisão provocou mobilização de autoridades locais, que tentam impedir o encerramento da unidade por meio da Justiça. O caso também reacendeu as críticas ao processo de redução da rede física promovido pelo banco no estado.
Após o fechamento da agência, os correntistas de Macururé serão transferidos para a unidade de Chorrochó. O trajeto entre os dois municípios é de aproximadamente 34,1 quilômetros e leva cerca de 37 minutos de carro.
Segundo o diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia, Ronaldo Ornelas, o impacto será maior para os grupos mais vulneráveis. De acordo com ele, cerca de 90% dos clientes atendidos pela agência são aposentados e idosos.
Reestruturação do banco reduz presença física
De acordo com representantes dos trabalhadores, o fechamento faz parte da estratégia de reestruturação adotada pelo Bradesco desde 2023, que prioriza a digitalização dos serviços e a redução dos custos operacionais.
Os números mostram que a Bahia tem sido uma das regiões mais afetadas pela diminuição da presença física da instituição.
Entre outubro de 2023 e abril de 2026, o Bradesco encerrou 55 agências no estado e abriu apenas seis novas unidades. Todas as inaugurações foram direcionadas ao segmento empresarial ou a clientes de alta renda, resultando em um saldo negativo de 49 agências.
Quarenta cidades perderam a única unidade do banco
Segundo levantamento citado pelo Sindicato dos Bancários da Bahia e pelo Dieese, 40 municípios baianos ficaram sem nenhuma agência do Bradesco durante o processo de reestruturação.
Ao todo, cerca de 811 mil habitantes foram diretamente impactados pelas mudanças.
Os dados também apontam que, dos 417 municípios da Bahia, apenas 203 possuem atualmente pelo menos uma agência bancária. Os outros 214 permanecem sem atendimento presencial, obrigando os moradores a percorrerem dezenas de quilômetros para realizar operações financeiras.
Fechamento preocupa população local
Em Macururé, a saída do Bradesco gera preocupação não apenas pelo acesso aos serviços bancários, mas também pelos efeitos econômicos na cidade.
Especialistas e representantes dos trabalhadores alertam que o desaparecimento das agências em municípios pequenos afeta a circulação de recursos no comércio local e dificulta o atendimento de pessoas que dependem do serviço presencial, especialmente aposentados, idosos e cidadãos com pouco acesso à internet.




