Uma das operações mais antigas ligadas à Coca-Cola nos Estados Unidos chegará ao fim nas próximas semanas. A Reyes Coca-Cola Bottling anunciou o fechamento definitivo da unidade de Ventura, na Califórnia, com encerramento das atividades marcado para 10 de julho, colocando fim a uma trajetória iniciada em 1912.
A decisão afetará 85 trabalhadores e encerra uma relação de mais de um século entre a cidade e a produção e distribuição de refrigerantes da marca.
Em comunicado enviado às autoridades americanas em maio, a empresa informou que as operações da unidade serão transferidas para outros centros de distribuição localizados no sul da Califórnia.
Segundo a companhia, 78 dos 85 empregados deverão ser realocados para outras instalações da Reyes Coca-Cola Bottling. Os demais funcionários também poderão concorrer a vagas abertas na empresa e em companhias do mesmo grupo.
De acordo com um porta-voz da fabricante, a decisão faz parte de uma avaliação periódica das operações com o objetivo de manter o crescimento sustentável e promover inovação nos negócios.
Relação com a cidade começou em 1912
O encerramento marca o fim de uma presença histórica da Coca-Cola em Ventura. A primeira fábrica da companhia na cidade foi inaugurada em 1912, em uma área próxima à Front Street.
Ao longo das décadas, a operação mudou de endereço e ganhou novas instalações. Em 1937, uma planta mais moderna foi aberta na esquina da Seward Avenue com a Thompson Boulevard.
Reportagem publicada pelo Ventura County Star em 1953 destacava a importância da indústria de refrigerantes para a economia local. Na época, as operações da Coca-Cola e da Nehi Bottling chegavam a produzir, juntas, cerca de 3.500 caixas de bebidas em um período de 23 horas.
Consolidação das operações avança na Califórnia
A desativação da unidade de Ventura faz parte de um movimento mais amplo de consolidação das operações da empresa no estado da Califórnia, onde outras instalações também foram fechadas nos últimos anos.
Especialistas apontam que, embora a concentração das atividades possa aumentar a eficiência operacional das empresas, os impactos costumam se estender para além das fábricas.
A transferência dos trabalhadores para outras cidades pode representar aumento do tempo de deslocamento, custos adicionais e mudanças na rotina familiar. Para a economia local, o fechamento de uma unidade centenária significa redução da atividade econômica e perda de uma empresa considerada parte da história da comunidade.
Impactos ambientais também entram em debate
Além das consequências econômicas, especialistas destacam possíveis impactos ambientais decorrentes da mudança.
Com a produção concentrada em menos unidades, a distribuição das bebidas pode exigir trajetos mais longos por caminhões, elevando as emissões de gases e aumentando a pressão sobre as cadeias logísticas.
Também são apontadas preocupações relacionadas ao histórico da indústria de bebidas com a geração de embalagens descartáveis e ao aumento da demanda por transporte para abastecer regiões anteriormente atendidas pela fábrica de Ventura.




