O governo do Egito está acelerando um amplo plano de expansão da infraestrutura turística, que inclui a construção de novos hotéis de luxo nas proximidades das pirâmides de Gizé. A iniciativa faz parte da estratégia nacional para elevar o número de visitantes internacionais para 30 milhões por ano até 2030, consolidando o turismo como um dos principais motores da economia do país.
Mesmo diante dos reflexos da guerra no Oriente Médio sobre o setor, o ministro egípcio do Turismo e Antiguidades, Sherif Fathy, afirmou que o país continua registrando crescimento na chegada de turistas. Até o fim de maio deste ano, o fluxo internacional aumentou 4%, e a expectativa do governo é encerrar 2026 com expansão entre 5% e 7%.
Em 2025, o Egito recebeu um recorde de 19 milhões de visitantes estrangeiros, número que reforça a importância do turismo, responsável por cerca de 12% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Hotéis próximos às pirâmides fazem parte do plano de expansão
Um dos principais projetos está concentrado na região das pirâmides de Gizé, onde o governo pretende criar uma nova estrutura voltada ao turismo internacional. O planejamento prevê entre 20 mil e 25 mil quartos de hotéis até 2030, além da implantação de áreas de lazer, espaços culturais e novos empreendimentos privados.
Paralelamente, o país também investe na modernização da infraestrutura aeroportuária. Entre as obras está a ampliação do Aeroporto Internacional de Esfinge, localizado próximo a Gizé, com o objetivo de aumentar a conectividade aérea com mercados considerados estratégicos, como América do Norte, América do Sul e Ásia.
Segundo Sherif Fathy, o governo também reduziu tarifas aeroportuárias para estimular companhias aéreas a ampliarem suas operações no país, após o aumento do preço dos combustíveis afetar a oferta de voos internacionais.
Expansão gera debate sobre preservação do patrimônio
Apesar do otimismo em relação ao crescimento do turismo, o projeto desperta preocupação entre arqueólogos, especialistas e parte da população egípcia. A expansão da infraestrutura próxima aos monumentos históricos reacendeu discussões sobre os riscos de sobreturismo e os possíveis impactos sobre um dos patrimônios arqueológicos mais importantes do mundo.
As pirâmides de Gizé abrigam a Pirâmide de Quéops, considerada a única das Sete Maravilhas do Mundo Antigo que permanece preservada até os dias atuais. Nos últimos anos, outras intervenções na região também provocaram críticas, como o projeto de restauração da Pirâmide de Miquerinos, contestado por egiptólogos em 2024 por possíveis danos ao patrimônio histórico.




