A Finlândia deu mais um passo na transformação de sua infraestrutura de telecomunicações ao encerrar, nesta terça-feira (30), o serviço de telefonia fixa oferecido pela operadora Elisa, a última grande empresa do país a manter uma rede baseada em fios de cobre. Com a mudança, as tradicionais ligações por telefone fixo deixam de existir em escala nacional a partir de julho, marcando o fim de uma tecnologia utilizada desde a década de 1880.
O encerramento simboliza o avanço da digitalização no país nórdico, que substituiu gradualmente as linhas convencionais por redes de fibra óptica, capazes de oferecer tanto serviços de internet quanto chamadas de voz.
Ao anunciar a decisão, em janeiro deste ano, a Elisa informou que restavam apenas “alguns poucos milhares” de assinantes utilizando o serviço e que há vários anos já não comercializava novas linhas telefônicas.
A operadora destacou que a baixa procura tornou inviável manter a infraestrutura baseada em cabos de cobre, tendência que já havia levado suas concorrentes a desativarem o serviço anteriormente. A Telia encerrou sua rede fixa em 2019, enquanto a DNA deixou de oferecer suporte às linhas convencionais no início deste ano.
A partir de agora, apenas pequenas operadoras locais continuarão oferecendo serviços de telefonia fixa em algumas regiões da Finlândia, atendendo um número reduzido de clientes e realizando principalmente chamadas locais.
Última ligação marcou o fim de uma era
O encerramento da rede foi simbolizado por uma última ligação telefônica realizada entre o diretor-presidente da Elisa, Topi Manner, e o chefe da agência finlandesa de Transportes e Comunicações, Jarkko Saarimaki.
Durante a conversa, os dois relembraram a importância dos telefones fixos ao longo das últimas décadas. Manner recordou o período em que viveu em Londres, nos anos 1980, quando fazia uma ligação semanal para conversar com a família na Finlândia em horário previamente combinado.
Ao final da chamada, ambos encerraram a conversa com a expressão finlandesa “kuulemiin”, equivalente a “falamos depois”, marcando oficialmente o fim das ligações pela rede analógica de cobre no país.
País acompanha tendência internacional
A rede de telefonia fixa finlandesa entrou em operação ainda na década de 1880 e chegou ao auge entre o fim dos anos 1980 e o início da década de 1990, quando o número de aparelhos instalados nas residências atingiu seu maior patamar.
A popularização dos telefones celulares, impulsionada pelo crescimento da indústria local e pelo protagonismo da fabricante finlandesa Nokia, acelerou a queda no uso das linhas convencionais nas décadas seguintes.




