A temperatura da superfície dos oceanos atingiu um novo recorde histórico no fim de junho, aumentando a preocupação da comunidade científica com uma nova onda de eventos climáticos extremos nos próximos meses. Os dados divulgados pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus mostram que, em 21 de junho, os oceanos fora das regiões polares registraram temperaturas superiores às observadas no mesmo período de 2023 e 2024, anos que já haviam estabelecido marcas consideradas excepcionais.
O cenário reforça os alertas sobre o avanço das mudanças climáticas. Diante do agravamento da situação, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, afirmou que “a Terra está sendo levada além de seus limites”.
Segundo os especialistas, o aumento da temperatura dos oceanos pode provocar alterações significativas nos padrões meteorológicos, no equilíbrio climático global e nos ecossistemas marinhos, especialmente porque ocorre paralelamente ao desenvolvimento de um fenômeno El Niño que pode se tornar um dos mais intensos das últimas décadas.

Oceanos acumulam calor em ritmo acelerado
Embora as temperaturas em terra costumem receber maior atenção, os cientistas destacam que os oceanos representam um dos principais indicadores do aquecimento global, já que absorvem grande parte do calor adicional gerado pelo aumento da concentração de gases de efeito estufa.
Estudos apontam que esse acúmulo de energia vem crescendo rapidamente. Em 2020, a quantidade de calor absorvida pelos oceanos equivalia à energia liberada por cerca de cinco bombas atômicas de Hiroshima por segundo. No ano passado, esse ritmo praticamente dobrou, alcançando o equivalente a aproximadamente 11 explosões por segundo.
Quando o recorde anterior foi registrado, em 2023, pesquisadores classificaram os dados como “preocupantes”, “assustadores” e muito acima das projeções esperadas. Pouco tempo depois, o planeta enfrentou uma sequência de ondas de calor, enchentes e tempestades severas em diversas regiões.
Europa enfrenta calor extremo
A intensificação do aquecimento já produz impactos visíveis em diferentes partes do mundo. Nas últimas semanas, diversos países europeus registraram novos recordes de temperatura, enquanto até mesmo a Antártida apresentou condições incomuns para o inverno.
De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, ondas de calor tendem a se tornar cada vez mais frequentes, intensas e duradouras ao longo das próximas décadas. A Europa é atualmente o continente que aquece mais rapidamente no planeta.
O chefe de informações climáticas da entidade, John Kennedy, destacou que o continente europeu já aqueceu cerca de 2°C nos últimos 50 anos, elevando significativamente a ocorrência de temperaturas extremas.
Já o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, informou que mais de 1.300 mortes em excesso foram registradas desde 21 de junho associadas à onda de calor na Europa. Segundo ele, mais de 150 milhões de pessoas já foram impactadas pelo fenômeno.




