A nova vacina pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) começou a ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) e passa a integrar gradualmente o calendário nacional de imunização infantil. O imunizante amplia a proteção contra a bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por doenças potencialmente graves, como pneumonia bacteriana, meningite, sepse, otite e sinusite.
As primeiras aplicações já foram iniciadas em estados como o Paraná. Em Curitiba, por exemplo, a vacinação começou em 1º de julho, quando 428 doses foram aplicadas. O lançamento oficial contou com representantes das secretarias municipal e estadual de Saúde, que destacaram a ampliação da proteção oferecida pela nova vacina.
Segundo o Ministério da Saúde, a distribuição inicial contempla 514 mil doses, com expectativa de alcançar 6,1 milhões de unidades até o fim do ano, substituindo progressivamente a antiga Pneumo 10.
A principal novidade da Pneumo 20 é a cobertura contra 20 sorotipos da bactéria pneumocócica, o dobro da proteção oferecida pela Pneumo 10, utilizada até então na rede pública.
Especialistas explicam que, embora existam mais de 100 sorotipos conhecidos do pneumococo, a nova vacina protege justamente contra aqueles mais frequentemente associados às formas graves da doença, incluindo os sorotipos 3 e 19A, que ganharam importância nos últimos anos.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a ampliação representa um avanço importante na prevenção de infecções graves e na redução das complicações provocadas pela bactéria.
Público-alvo e esquema de vacinação
A Pneumo 20 será destinada principalmente às crianças menores de cinco anos que ainda não concluíram o esquema vacinal recomendado.
Durante o período de transição, o calendário infantil ficará organizado da seguinte forma:
- primeira dose da Pneumo 20 aos 2 meses de idade;
- segunda dose da Pneumo 10 aos 4 meses;
- dose de reforço da Pneumo 20 aos 12 meses, respeitando intervalo mínimo de 60 dias entre a segunda dose e o reforço.
Além das crianças, o Ministério da Saúde também prevê a vacinação de povos indígenas com mais de cinco anos sem histórico de vacinação pneumocócica conjugada, idosos com 60 anos ou mais acamados ou institucionalizados e pessoas com condições clínicas especiais atendidas pela Rede de Imunobiológicos para Pessoas em Situações Especiais (RIE).
As vacinas Pneumo 13 e Pneumo 23 continuarão sendo utilizadas em situações específicas até o término dos estoques.
Doença ainda provoca mortes no Brasil
A ampliação da vacinação busca reduzir internações, sequelas e mortes provocadas pelas infecções pneumocócicas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença pneumocócica é a principal causa de mortalidade infantil entre enfermidades preveníveis por vacinação.
No Brasil, entre 2023 e 2025, foram registrados 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e cerca de 1,4 mil mortes relacionadas à doença. Entre crianças menores de cinco anos, o período contabilizou 616 casos e 188 óbitos.
Além da proteção individual, o Ministério da Saúde destaca que a ampliação da cobertura vacinal deve reduzir os custos do SUS com internações, tratamentos em unidades de terapia intensiva (UTIs), reabilitação e atendimento de sequelas decorrentes das infecções.




