Durante muitos anos o Brasil manteve uma boa relação diplomática e econômica com os Estados Unidos, mas a situação mudou bastante no atual governo de Donald Trump. Recentemente, o republicano começou uma nova ofensiva comercial contra o nosso país e um dos principais motivos por trás disso é o Pix. Pelo menos é o que afirma o o professor do Departamento de Ciências Políticas e Economia da Unesp e especialistas em relações internacionais, Marcelo Fernandes de Oliveira.
Em maio deste ano, o escritório do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) abriu uma investigação comercial sobre práticas comerciais desleais por parte de 60 países, incluindo o Brasil. Um dos temas da investigação é a ocorrência de trabalho forçado nesses locais, mas o tema mais comentado em relação ao Brasil foi a existência do Pix.
Dependendo do que o USTR decidir sobre os resultados da investigação, os produtos brasileiros podem enfrentar duas novas tarifas nos EUA: uma adicional de 25% por “práticas comerciais desleais” e uma de 12,5% relacionada à avaliação de que o Brasil não está adotando medidas suficientes para combater o trabalho forçado.
Como Fernandes explica ao Canal Rural, diferente do que aconteceu com o “Tarifaço” no ano passado, nesse caso, essas tarifas seriam resultado de uma investigação do governo norte-americano, sendo, portanto, muitos mais difíceis de evitar.
Por que o Trump odeia o Pix?
“O Pix é a pedra no sapato exatamente da Meta e também do Google. Estamos falando da segunda e da quinta maiores empresas do mundo, que pressionaram o representante comercial dos Estados Unidos porque tinham interesse no mercado brasileiro de pagamentos digitais”, avalia o professor da Unesp.
No documento do USTR, o Brasil é acusado de adotar práticas “irracionais” ou “discriminatórias” ao favorecer o Pix, sistema de transferências criado aqui no país, atrapalhando empresas estadunidenses de pagamentos eletrônicos.




