A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um novo alerta sobre o avanço do câncer no mundo. De acordo com o relatório Global Status Report on Cancer 2026, a doença deverá atingir direta ou indiretamente cerca de 92% da população mundial até 2050, considerando não apenas as pessoas diagnosticadas, mas também familiares e cuidadores impactados pela enfermidade.
O documento, elaborado em parceria com a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), estima que o número de novos casos chegará a 35 milhões por ano até 2050, caso a tendência atual seja mantida. Atualmente, são registrados aproximadamente 20,6 milhões de novos casos anuais e quase 10 milhões de mortes, fazendo do câncer a segunda principal causa de óbitos no planeta, atrás apenas das doenças cardiovasculares.
Segundo a OMS, aproximadamente uma em cada cinco pessoas desenvolverá algum tipo de câncer ao longo da vida. A organização ressalta ainda que, quando se considera o impacto da doença sobre parentes próximos e cuidadores, praticamente toda a população será afetada em algum momento.
O relatório aponta que apenas 12 países estão no caminho para cumprir a meta global de reduzir as mortes prematuras por câncer até 2030.
Além do crescimento esperado no número de casos, a OMS chama atenção para as diferenças entre países ricos e pobres. Enquanto 87% das mulheres com câncer de mama sobrevivem pelo menos cinco anos após o diagnóstico em países de alta renda, esse índice cai para cerca de 42% nos países de baixa renda. Outro dado preocupante mostra que menos de um terço dos países inclui o tratamento oncológico nos pacotes de cobertura universal em saúde.

Fatores de risco e impactos sociais
O estudo revela que quase quatro em cada dez casos de câncer estão relacionados a fatores que podem ser prevenidos. Entre eles estão:
- tabagismo;
- consumo de álcool;
- obesidade;
- sedentarismo;
- alimentação inadequada;
- poluição do ar;
- infecções como HPV, hepatites B e C e Helicobacter pylori.
O levantamento também analisou os impactos econômicos e emocionais da doença. Pela primeira vez, a OMS realizou uma pesquisa com pessoas afetadas pelo câncer e constatou que 45% enfrentam dificuldades financeiras, mais da metade relata problemas relacionados à saúde mental e praticamente todos os cuidadores afirmam sofrer sobrecarga, incluindo trabalho não remunerado e isolamento social.
Situação nas Américas
Nas Américas, o câncer continua entre as principais causas de doença e morte. Em 2024, foram estimados quase 1,5 milhão de novos casos e mais de 750 mil mortes na América Latina e no Caribe.
Segundo a OMS, o envelhecimento da população, o crescimento demográfico e a permanência de fatores de risco evitáveis devem elevar ainda mais o número de diagnósticos nas próximas décadas. A entidade destaca que persistem desigualdades importantes no acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce, ao tratamento, aos cuidados paliativos e à proteção financeira contra os custos da doença.
Apesar dos desafios, o relatório aponta avanços globais. O consumo de tabaco caiu 27% desde 2010, diversos países ampliaram programas de vacinação contra infecções relacionadas ao câncer e 82% das nações já possuem planos nacionais de controle da doença, percentual superior aos 50% registrados em 2010.




