A Universidade de Oxford iniciou o primeiro ensaio clínico de Fase I do mundo para avaliar uma vacina contra o ebolavírus Bundibugyo (BDBV), variante responsável por um grande surto em andamento na República Democrática do Congo e em Uganda. O imunizante utiliza a mesma plataforma de vetor viral empregada na vacina Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19 e representa uma das principais apostas para conter o avanço da doença.
Batizada de ChAdOx1 BDBV, a vacina foi desenvolvida por pesquisadores do Oxford Vaccine Group e do Pandemic Sciences Institute. O recrutamento de voluntários já começou, enquanto a aplicação das primeiras doses depende da aprovação das autoridades regulatórias.
O novo imunizante utiliza a plataforma ChAdOx1, baseada em vetor viral, a mesma empregada no desenvolvimento da vacina Oxford/AstraZeneca durante a pandemia de Covid-19.
A expectativa dos pesquisadores é que essa experiência permita acelerar o desenvolvimento da vacina e, caso os estudos confirmem sua segurança e eficácia, facilitar uma resposta rápida ao atual surto.
O Instituto Serum, da Índia, parceiro do projeto, informou que produziu e armazenou aproximadamente 620 mil doses da vacina experimental em apenas duas semanas. Desse total, 4 mil doses já foram destinadas ao estudo clínico inicial.
Surto da variante Bundibugyo preocupa autoridades
A variante Bundibugyo é responsável pelo terceiro maior surto de ebola já registrado. Segundo os dados mais recentes, a epidemia já contabiliza mais de 1.800 casos confirmados e mais de 700 mortes na República Democrática do Congo, além de registros em Uganda.
Identificado pela primeira vez em Uganda, em 2007, o vírus voltou a causar um pequeno surto em 2012. No entanto, o cenário atual é considerado o mais grave da história para essa variante, com rápida disseminação entre diferentes províncias e registros isolados de casos na Europa.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou que vacinas desenvolvidas contra a cepa Zaire do ebola não sejam utilizadas neste surto, priorizando a avaliação clínica da vacina ChAdOx1 BDBV e de outro candidato experimental, o rVSV Bundibugyo.
Estudos também serão realizados em Uganda
Além do ensaio clínico conduzido no Reino Unido, pesquisadores preparam novos estudos em Uganda, que deverão incluir cerca de 110 voluntários, considerando fatores genéticos e ambientais da população local.
Os participantes serão acompanhados durante um ano, com avaliações diárias na primeira semana após a vacinação e monitoramento periódico ao longo dos meses seguintes.
Se os resultados iniciais forem positivos, a vacina poderá avançar para estudos clínicos de maior escala ainda neste ano, etapa necessária para pedidos de autorização de uso emergencial ou aprovação regulatória definitiva.
A Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI) anunciou investimento inicial de US$ 8,6 milhões para apoiar o desenvolvimento da vacina.








