A França voltou a permitir o consumo de bebidas alcoólicas em locais públicos após o encerramento de uma proibição temporária adotada em Paris durante a intensa onda de calor que atingiu o país no fim de junho. A medida, válida apenas entre os dias 26 e 28 de junho, foi implementada como forma de reduzir problemas de saúde relacionados às temperaturas extremas e aliviar a sobrecarga enfrentada pelos hospitais da capital.
O decreto foi anunciado pelo chefe de polícia de Paris, Patrice Faure, e proibiu o consumo de álcool em espaços públicos das 12h de sexta-feira (26) até as 7h de sábado (27), repetindo a restrição das 12h de sábado (27) até as 7h de domingo (28).
Além disso, a venda de bebidas alcoólicas para consumo fora dos estabelecimentos também foi suspensa entre 18h e 7h durante os dois dias. Bares e restaurantes licenciados permaneceram autorizados a servir bebidas normalmente.
Segundo as autoridades francesas, a decisão ocorreu diante do aumento expressivo das internações provocado pelas altas temperaturas. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu elevou o nível de alerta sanitário ao grau máximo para reforçar as equipes hospitalares e ampliar a proteção à população mais vulnerável.
A ministra da Saúde, Stéphanie Rist, alertou que os efeitos da onda de calor não atingiam apenas idosos, mas também pessoas jovens e saudáveis. De acordo com ela, o serviço de ambulâncias de Paris registrou, em apenas 24 horas, um número de paradas cardíacas quatro vezes superior ao habitual.
Temperaturas bateram recordes
A França registrou um dos períodos mais quentes de sua história recente no fim de junho. No dia 24, o país alcançou sua maior temperatura média já registrada, enquanto Paris se aproximou dos 41°C. Durante a noite, a temperatura mínima média nacional chegou a 22°C, dificultando o resfriamento natural das cidades.
As autoridades orientaram a população a evitar atividades físicas intensas durante os horários mais quentes. O então prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, chegou a classificar como irresponsável a prática de exercícios ao ar livre diante das condições climáticas extremas.
Mortes aumentaram durante a onda de calor
Posteriormente, o governo francês informou que o número de mortes aumentou significativamente durante o período de calor extremo. Na última semana de junho, os óbitos cresceram 29% em comparação com a semana anterior, representando mais de 2 mil mortes adicionais, principalmente entre pessoas com mais de 45 anos.
A onda de calor também afetou diversos países europeus. Alemanha, Espanha, Reino Unido, Itália, Bélgica e República Tcheca enfrentaram temperaturas excepcionalmente elevadas, com alertas para riscos à saúde, incêndios florestais e pressão sobre os sistemas de saúde.








