Motoristas brasileiros devem encontrar uma pequena redução no preço da gasolina a partir de 1º de agosto, quando passa a valer a nova composição obrigatória do combustível aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A medida aumenta de 30% para 32% a participação do etanol anidro na gasolina, em uma mudança que, segundo o governo federal, poderá diminuir o valor cobrado nas bombas e reduzir a dependência da importação de combustíveis fósseis.
A resolução terá validade inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por mais um período igual. A alteração será automática para os consumidores, já que a mistura é realizada pelas distribuidoras antes de o combustível chegar aos postos.
Com a adoção do chamado E32, cada litro de gasolina comercializado no país passará a conter 32% de etanol anidro e 68% de gasolina fóssil. Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a expectativa é de uma redução aproximada de R$ 0,03 por litro para o consumidor.
Representantes do setor avaliam que o preço na bomba pode registrar queda próxima de 2%, embora ressaltem que o impacto percebido pelos motoristas possa variar conforme a região e a política de preços das distribuidoras e postos.
A decisão foi embasada por estudos técnicos coordenados pelo Ministério de Minas e Energia e realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia, que apontaram comportamento semelhante ao das misturas atualmente utilizadas, sem impactos relevantes no funcionamento dos veículos, incluindo modelos equipados com motores exclusivamente a gasolina.
Economia pode variar conforme o consumo
Apesar da expectativa de redução no preço, especialistas alertam que o aumento da participação do etanol pode elevar levemente o consumo de combustível. Isso ocorre porque o etanol possui menor densidade energética em comparação com a gasolina, fazendo com que alguns veículos precisem de uma quantidade um pouco maior de combustível para percorrer a mesma distância.
Na prática, isso significa que parte da economia obtida com a redução do preço por litro poderá ser compensada pelo aumento no consumo, dependendo do modelo do veículo e das condições de uso.
Objetivo é reduzir importações e emissões
Além do possível alívio no preço da gasolina, o governo afirma que a adoção do E32 busca diminuir a dependência brasileira da importação de combustíveis fósseis, especialmente diante das oscilações internacionais provocadas por conflitos no mercado de petróleo.
As estimativas do Ministério de Minas e Energia apontam que a nova mistura poderá reduzir a necessidade de importação de aproximadamente 900 milhões de litros de gasolina por ano.
Outro objetivo da medida é ampliar o uso de biocombustíveis renováveis. Como o etanol anidro é produzido principalmente a partir da cana-de-açúcar e do milho, o governo também espera uma redução das emissões de gases de efeito estufa associadas ao setor de transportes.








