Pesquisadores da Bélgica desenvolveram um spray nasal experimental que pode impedir a infecção por diversos vírus respiratórios antes mesmo que eles consigam entrar nas células humanas. A inovação, batizada de Dastevir, está sendo desenvolvida pela empresa de biotecnologia Intercept Bio, criada em parceria pela Universidade de Namur (UNamur) e pela Universidade Católica de Louvain (UCLouvain), e apresentou resultados promissores em estudos pré-clínicos.
Segundo as instituições, a tecnologia demonstrou atividade antiviral contra vírus importantes, como o da gripe, o SARS-CoV-2, causador da Covid-19, e o vírus sincicial respiratório (VSR). Apesar dos resultados, o produto ainda não está disponível para uso pela população e precisará passar pelas próximas etapas de desenvolvimento e testes clínicos.
O diferencial do Dastevir está em uma molécula proprietária chamada 9-Ac-SAP, protegida por patentes internacionais das duas universidades.

Em vez de atacar diretamente um vírus específico, a substância atua como uma espécie de “isca molecular”. Quando os vírus entram pelas vias nasais, eles encontram primeiro essa molécula, que dificulta sua fixação às células humanas e reduz a capacidade de iniciar a infecção.
Como muitos vírus respiratórios utilizam esse mesmo mecanismo inicial para invadir o organismo, os pesquisadores acreditam que a tecnologia poderá oferecer proteção contra diferentes agentes infecciosos, inclusive novas variantes que possam surgir.
Estratégia diferente das vacinas
Os cientistas explicam que o spray não pretende substituir as vacinas, mas funcionar como uma estratégia complementar de prevenção.
Ao agir logo no início do processo infeccioso, diretamente nas vias nasais, principal porta de entrada de muitos vírus respiratórios, a tecnologia pode ampliar as formas de proteção já existentes.
O professor Stéphane Vincent, da Universidade de Namur, afirma que o objetivo é impedir que o vírus ultrapasse a primeira barreira do organismo.
Segundo ele, a proposta é oferecer uma solução simples de utilizar, baseada na compreensão das etapas iniciais da infecção viral.
Já o pesquisador David Alsteens, da UCLouvain e do WEL Research Institute, destaca que a estratégia busca atingir uma etapa comum do processo infeccioso, em vez de uma proteína específica de cada vírus. Com isso, a expectativa é manter a eficácia mesmo diante do surgimento de novas variantes ou de vírus emergentes.
Público de maior risco pode ser beneficiado
Por ser administrado diretamente no nariz e ter caráter preventivo, o spray poderá representar uma alternativa especialmente interessante para pessoas com maior risco de complicações causadas por doenças respiratórias, como pacientes com enfermidades pulmonares crônicas ou imunossuprimidos.
Os pesquisadores também avaliam que, no futuro, o produto poderá ser utilizado antes da entrada em ambientes fechados e com grande circulação de pessoas, como transportes públicos, reduzindo o risco de contrair infecções respiratórias.
Outra possibilidade estudada é o uso por pessoas já infectadas para diminuir a transmissão do vírus a indivíduos próximos.
Estudos ainda continuam
Até o momento, os resultados positivos foram obtidos apenas em pesquisas pré-clínicas realizadas nas duas universidades belgas.
As instituições afirmam que o desenvolvimento do Dastevir ainda seguirá pelas etapas de testes necessárias para comprovar a segurança e eficácia em seres humanos antes que o spray possa ser disponibilizado para uso clínico.








