O tradicional prato feito (PF), uma das refeições mais consumidas pelos brasileiros, ficou significativamente mais caro no primeiro semestre de 2026. Segundo levantamento do Índice do Prato Feito (IPF), o preço médio da refeição subiu 7,2% no período, mais que o dobro da inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que acumulou alta de 3,36%.
Em junho, o valor médio do prato feito no Brasil chegou a R$ 31,90. A pesquisa considerou refeições compostas por arroz, feijão, uma proteína, salada e uma guarnição, refletindo o impacto das variações dos custos de alimentos e das despesas dos restaurantes sobre o bolso do consumidor.
Embora alguns itens importantes da refeição, como o arroz e parte das carnes, tenham apresentado estabilidade ou até redução de preços em determinados momentos do ano, os gastos para manter os estabelecimentos em funcionamento continuam elevados.
Entre os principais fatores estão o aumento das tarifas de energia elétrica, que avançaram 1,53% em junho, e a alta acumulada de 5,24% no aluguel comercial durante o primeiro semestre.
Além disso, os efeitos econômicos da guerra no Irã pressionaram as cotações internacionais do petróleo, influenciando os custos do diesel e da gasolina. O aumento das despesas com transporte e logística acabou impactando toda a cadeia de abastecimento dos restaurantes.
Alimentos também ficaram mais caros
Os dados do IPCA mostram que diversos produtos utilizados diariamente na composição do prato feito registraram aumentos expressivos ao longo do semestre.
Os tubérculos, raízes e legumes acumularam alta de 67,71%. O feijão-carioca, um dos principais ingredientes da refeição, ficou 52,82% mais caro no período. Já hortaliças e verduras registraram aumento de 13,91%, enquanto as carnes avançaram 5,6%.
O arroz foi uma das poucas exceções, apresentando leve queda de 0,51% no semestre.
Sul tem o prato feito mais caro do país
O levantamento analisou 887 preços coletados presencialmente em restaurantes e também em plataformas de entrega nas cinco regiões brasileiras.
A Região Sul apresentou o maior preço médio do país, com o prato feito custando R$ 34,90 em junho.
Na sequência aparecem:
- Centro-Oeste: R$ 34,45;
- Sudeste: R$ 31,99;
- Nordeste: R$ 30,00;
- Norte: R$ 29,99, o menor valor entre as regiões pesquisadas.
Segundo o estudo, fatores como custo dos imóveis comerciais, despesas com mão de obra, logística de distribuição, nível de concorrência e renda da população ajudam a explicar as diferenças regionais.
Consumidores buscam alternativas
Com o aumento do custo das refeições fora de casa, trabalhadores que almoçam diariamente em restaurantes podem gastar cerca de R$ 640 por mês apenas com o prato feito.
Diante desse cenário, muitos consumidores passaram a preparar refeições em casa e levar marmitas para o trabalho como forma de reduzir as despesas com alimentação. Os responsáveis pelo levantamento destacam que o Índice do Prato Feito (IPF) não substitui o IPCA, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).








