O presidente da Hungria, Tamás Sulyok, assinou uma emenda constitucional que determinou o encerramento imediato de seu próprio mandato como chefe de Estado. A medida entrou em vigor à meia-noite deste domingo (20), após a sanção da legislação aprovada pelo Parlamento, onde o partido governista Tisza possui maioria qualificada.
A mudança faz parte de um amplo processo de reestruturação institucional conduzido pelo primeiro-ministro Peter Magyar, que assumiu o poder após vencer as eleições realizadas em abril e derrotar o então premiê Viktor Orbán. Segundo o novo governo, a proposta busca desmontar estruturas de influência ligadas à antiga administração.
De acordo com o texto aprovado pelos parlamentares, o mandato de Sulyok foi encerrado de forma imediata sob a justificativa de uma “grave perda de confiança” da sociedade no chefe de Estado.
O presidente havia sido eleito no início de 2024 pelo Parlamento dominado pelo partido Fidesz, legenda de Viktor Orbán. Mesmo com a possibilidade de vetar a medida, Sulyok optou por sancionar a emenda constitucional, oficializando o fim de seu período à frente da Presidência.
A reforma foi viabilizada pela maioria de dois terços conquistada pelo partido Tisza no Parlamento húngaro, condição que permite alterar a Constituição e aprovar mudanças legislativas sem necessidade de apoio da oposição.

Governo indica Judit Polgár para Presidência interina
Após a saída de Sulyok, o primeiro-ministro Peter Magyar anunciou a indicação da enxadrista Judit Polgár para exercer interinamente a Presidência da República até a entrada em vigor de uma nova Constituição ou, no máximo, por cinco anos, caso seja eleita pelo Parlamento.
Reconhecida como a maior enxadrista da história, Polgár ficou conhecida por competir em igualdade de condições com os principais jogadores do circuito masculino e tornou-se a única mulher a ultrapassar a marca de 2.700 pontos no ranking internacional da modalidade, patamar considerado de “Super Grande Mestre”.

Magyar afirmou que a trajetória da enxadrista representa talento, perseverança e integridade, características que, segundo ele, são necessárias para unir o país durante o período de transição institucional.
Nova Constituição está nos planos do governo
A eleição de um novo presidente deverá ocorrer no Parlamento, onde o partido governista possui maioria suficiente para aprovar a indicação.
O ocupante do cargo exercerá a função até que a nova Constituição planejada pelo governo entre em vigor. A proposta integra um conjunto mais amplo de reformas anunciado por Peter Magyar após assumir o comando do país, com o objetivo de reformular instituições criadas durante os anos de governo de Viktor Orbán.








