O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria trabalhando nos bastidores para apoiar a candidatura do presidente da Fifa, Gianni Infantino, ao cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A informação foi divulgada pelo jornal New York Post, que afirma ter ouvido fontes próximas ao líder norte-americano.
A sucessão da ONU será definida ainda neste ano para substituir António Guterres, cujo segundo mandato termina em 31 de dezembro. Caso avance, Infantino precisará conquistar apoio tanto no Conselho de Segurança quanto na Assembleia Geral da organização para assumir o posto.
De acordo com as informações publicadas pela imprensa norte-americana, Trump considera que o dirigente da Fifa reúne características como reconhecimento internacional e capacidade de diálogo entre diferentes setores, atributos que, na avaliação do presidente, seriam importantes para comandar a ONU.
A aproximação entre os dois se intensificou durante a organização da Copa do Mundo de 2026, realizada nos Estados Unidos, México e Canadá. Nos últimos meses, Trump e Infantino apareceram juntos em diversos eventos relacionados ao torneio e protagonizaram frequentes demonstrações públicas de apoio mútuo.

Entre os episódios que chamaram atenção esteve a entrega do primeiro Prêmio da Paz da Fifa a Trump, concedido por Infantino em dezembro. Outro momento que gerou repercussão ocorreu durante o Mundial, quando Trump conversou com o dirigente sobre a suspensão aplicada ao atacante norte-americano Folarin Balogun. Posteriormente, a punição foi revista, decisão que provocou críticas de entidades esportivas e organizações de direitos humanos.
Infantino afirmou, na ocasião, que os órgãos judiciais da Fifa atuam de forma independente e que apenas explicou ao presidente norte-americano como funcionava o processo disciplinar da entidade.
Eleição depende de amplo apoio internacional
Apesar do suposto interesse da Casa Branca, ainda não há confirmação de que Gianni Infantino pretenda disputar oficialmente o cargo.
Para se tornar secretário-geral da ONU, qualquer candidato precisa, inicialmente, obter a recomendação dos 15 integrantes do Conselho de Segurança. Nesse processo, os cinco membros permanentes, Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido, possuem poder de veto. Depois dessa etapa, o nome ainda precisa ser aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas.
Segundo fontes ouvidas pelo New York Post, Trump acredita que há espaço para uma candidatura alternativa diante do atual cenário da sucessão e enxerga Infantino como um nome competitivo.
Sucessão pode romper tradição regional
A disputa pela sucessão de António Guterres ocorre em meio à expectativa de que o próximo secretário-geral seja escolhido entre candidatos da América Latina e do Caribe, seguindo uma prática informal de alternância geográfica adotada pela ONU ao longo das últimas décadas.
Entre os nomes mais conhecidos citados pela imprensa internacional estão a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet e o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o argentino Rafael Grossi.
Ainda assim, fontes próximas ao governo dos Estados Unidos afirmam que essa tradição não impede a candidatura de Infantino e que o dirigente da Fifa poderia reunir indicações de diferentes países caso decida entrar oficialmente na disputa.








