A França elevou oficialmente o salário mínimo nacional a partir de 1º de junho de 2026, ampliando a remuneração dos trabalhadores para 1.867,02 euros brutos por mês, o equivalente a aproximadamente R$ 10,7 mil na cotação atual. O reajuste reforça o contraste com a realidade brasileira, onde o salário mínimo é de R$ 1.621 e a jornada semanal prevista na legislação pode chegar a 44 horas.
No modelo francês, a jornada padrão de trabalho é de 35 horas por semana, uma das menores entre as principais economias do mundo. O aumento do piso salarial ocorreu de forma automática após o avanço da inflação superar o limite previsto na legislação trabalhista do país.
O novo valor representa um aumento de 2,41% em relação ao piso anterior. Com a atualização, o salário mínimo por hora passou de 12,02 euros para 12,31 euros, enquanto a remuneração mensal para trabalhadores em tempo integral alcançou 1.867,02 euros brutos.
Na França, a atualização do chamado SMIC (Salaire Minimum Interprofessionnel de Croissance) ocorre todos os anos conforme determina o Código do Trabalho. O cálculo leva em consideração a inflação, especialmente a que afeta as famílias de menor renda.
Além do reajuste anual, a legislação francesa permite aumentos extraordinários sempre que a inflação ultrapassa determinados limites, como ocorreu neste ano.
O salário mínimo francês é obrigatório para todos os trabalhadores maiores de idade da iniciativa privada, independentemente da forma de remuneração, seja por hora, comissão, produção, tarefa, gorjetas ou rendimento. Benefícios e adicionais também precisam respeitar o piso legal.
Brasil discute novo reajuste para 2027
Enquanto isso, no Brasil, o salário mínimo permanece em R$ 1.621. No entanto, projeções elaboradas com base nas estimativas mais recentes do Ministério da Fazenda indicam que o piso poderá chegar a aproximadamente R$ 1.746 em 2027.
A estimativa considera uma inflação medida pelo INPC de 5,3% em 2026 e um crescimento de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), percentual utilizado para calcular o ganho real previsto na política de valorização do salário mínimo.
O valor ainda não é oficial e dependerá do INPC acumulado até novembro, índice que serve como base legal para o reajuste. Uma nova projeção deverá ser apresentada pelo governo no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), previsto para ser encaminhado ao Congresso Nacional até o fim de agosto.
Aumento também pressiona as contas públicas
A eventual elevação do salário mínimo brasileiro também traz impacto direto sobre as despesas do governo, especialmente com benefícios previdenciários e assistenciais.
Segundo informações apresentadas anteriormente pelo Ministério do Planejamento, cada R$ 1 acrescido ao salário mínimo representa um aumento anual de aproximadamente R$ 429 milhões nos gastos da Previdência Social.








