O uso diário de protetor solar não deve fazer parte apenas da rotina dos adultos. Especialistas e entidades médicas reforçam que a proteção da pele deve começar ainda na infância, já que a exposição excessiva aos raios ultravioleta nos primeiros anos de vida pode aumentar significativamente o risco de doenças no futuro, incluindo o câncer de pele.
De acordo com recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a proteção solar é um cuidado essencial para crianças, principalmente porque grande parte da exposição acumulada ao sol ao longo da vida ocorre antes dos 20 anos de idade. Estudos também indicam que adotar esse hábito desde cedo pode reduzir em até 40% o risco de desenvolver câncer de pele antes dos 40 anos.
Embora a luz solar seja importante para a produção de vitamina D, especialistas ressaltam que a exposição desprotegida não é recomendada como forma de obtenção desse nutriente. Quando há necessidade de reposição, a orientação é recorrer à alimentação ou à suplementação prescrita por profissionais de saúde.
O efeito da radiação ultravioleta é cumulativo. Isso significa que os danos provocados pelo sol durante a infância podem se manifestar apenas anos depois, contribuindo para o envelhecimento precoce da pele, manchas, queimaduras frequentes e maior probabilidade de desenvolvimento de câncer de pele.
Além da exposição intensa ao sol, fatores como pele clara, olhos claros, cabelos loiros ou ruivos, histórico familiar da doença e residência em regiões com elevada incidência solar também aumentam o risco.
Recomendações variam conforme a idade da criança
As orientações médicas diferem de acordo com a faixa etária. Para bebês com menos de seis meses, a recomendação é evitar a exposição direta ao sol, utilizando apenas proteção física, como roupas adequadas, chapéus e permanência na sombra.
Entre seis meses e dois anos, o uso de protetores solares infantis pode ser realizado, preferencialmente com produtos formulados especificamente para crianças. A partir dos dois anos, o protetor solar deve fazer parte da rotina diária, mantendo-se a preferência por produtos desenvolvidos para o público infantil.
Especialistas destacam que as fórmulas pediátricas costumam utilizar filtros físicos, como óxido de zinco e dióxido de titânio, que criam uma barreira sobre a pele e apresentam menor risco de irritações e alergias. Já os protetores destinados aos adultos frequentemente contêm fragrâncias, conservantes e filtros químicos que podem ser mais agressivos para a pele sensível das crianças.
Proteção vai além do protetor solar
Os pediatras e dermatologistas ressaltam que a proteção solar não depende apenas do uso do filtro. Roupas com proteção UV, chapéus de abas largas, óculos escuros com proteção ultravioleta e a permanência em locais com sombra, especialmente entre 10h e 16h, também fazem parte das medidas recomendadas.
Outra orientação é aplicar o protetor entre 15 e 30 minutos antes da exposição ao sol e reaplicá-lo a cada duas horas, ou após mergulhos e transpiração intensa.
Especialistas ainda lembram que os raios UVA conseguem atravessar vidros. Por isso, crianças que permanecem próximas a janelas com incidência direta de luz solar também podem necessitar de proteção.








