O arroz voltou ao centro das atenções após os Estados Unidos anunciarem uma nova tarifa adicional sobre parte das exportações brasileiras. O produto está entre os itens atingidos pela medida, que pode elevar a taxação total para até 37,5% no mercado norte-americano. Ao mesmo tempo, o cereal já registra valorização no mercado interno, impulsionada pela redução da produção nacional e pela menor oferta do grão.
Embora a combinação desses fatores aumente as preocupações do setor, não é possível afirmar que haverá um aumento direto no preço pago pelos consumidores brasileiros. O impacto dependerá do comportamento das exportações, da oferta disponível no mercado interno e da evolução das negociações comerciais entre os dois países.
A decisão foi confirmada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), após a conclusão de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial americana, que analisou políticas brasileiras relacionadas ao combate ao trabalho forçado.
Além do arroz, a nova tarifa adicional de 12,5% também alcança produtos como mel e etanol. Com isso, esses itens podem enfrentar uma carga tributária total de até 37,5% para ingressar no mercado norte-americano, elevando os custos para exportadores brasileiros.

Por outro lado, alguns dos principais produtos do agronegócio ficaram fora da nova lista de sobretaxas. Permaneceram entre as exceções carne bovina, artefatos de couro, produtos destinados à nutrição animal, suco de laranja e café solúvel.
O governo brasileiro contestou a decisão e afirmou que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos têm caráter protecionista. Em nota oficial, o Executivo informou que avalia recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) e utilizar mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade.
Segundo dados divulgados pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), mais de 3 mil produtos brasileiros serão atingidos pelas novas tarifas, representando aproximadamente US$ 12 bilhões em exportações anuais. Desse total, cerca de 85% poderá ficar sujeito à tributação acumulada de até 37,5%.
Mercado interno já registra valorização do arroz
Mesmo antes dos possíveis efeitos da nova tarifa, o mercado brasileiro já vinha registrando alta nos preços do arroz.
O Indicador do Arroz em Casca Cepea/Irga-RS alcançou R$ 66,72 por saca de 50 quilos em 23 de julho, maior valor desde setembro de 2025. Apenas neste mês, a valorização acumulada chegou a 10,78%.
A recuperação dos preços ocorre em meio à redução da produção nacional. Segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2025/26 deverá alcançar 11,09 milhões de toneladas, uma queda de 13,1% em relação ao ciclo anterior.
A área plantada também diminuiu 13,8%, totalizando 1,52 milhão de hectares. Apesar de a produtividade média ter aumentado 0,9%, chegando a 7.295 quilos por hectare, o avanço não compensou a redução das áreas cultivadas.
O Rio Grande do Sul continua sendo o principal produtor do país, concentrando quase 60% da área nacional destinada ao arroz irrigado. O estado cultivou aproximadamente 905 mil hectares e registrou produtividade média de 8.641 quilos por hectare.








