Cinquenta anos depois de dar vida a Jesus Cristo na clássica minissérie “Jesus de Nazaré”, o ator britânico Robert Powell continua sendo lembrado por um dos papéis mais marcantes da televisão mundial. Aos 81 anos, ele afirma que encara com emoção a longevidade da obra e espera que ela continue atravessando gerações.
Em entrevistas recentes, Powell destacou que o impacto da produção dirigida por Franco Zeffirelli superou qualquer expectativa e afirmou que a história construída há cinco décadas ganhou vida própria. “A obra durou 50 anos e espero que dure muito depois de mim”, declarou o ator ao comentar o legado da minissérie exibida originalmente em 1977.
Segundo Powell, interpretar Jesus foi um desafio diferente de qualquer outro papel de sua carreira. Ele revelou que, inicialmente, tanto ele quanto o diretor Franco Zeffirelli pretendiam mostrar simultaneamente o lado humano e o divino de Cristo, mas perceberam que essa abordagem comprometia justamente aquilo que tornava o personagem extraordinário.
O ator explicou que abandonou a ideia de criar trejeitos, maneirismos ou características muito específicas para o personagem. Em vez disso, optou por uma atuação contida, permitindo que cada espectador projetasse sua própria visão de Jesus.
Para Powell, essa escolha foi determinante para o sucesso da produção. Segundo ele, milhares de cartas recebidas após a exibição da minissérie repetiam a mesma mensagem: muitos afirmavam que aquele era exatamente o Jesus que imaginavam.
Na avaliação do ator, a permanência da figura de Cristo ao longo de mais de dois mil anos está justamente nessa capacidade de cada pessoa construir uma imagem própria baseada em sua fé e experiência de vida.
Atuação marcada pela simplicidade
Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Robert Powell afirma ter desenvolvido um estilo de interpretação baseado em gestos discretos e na busca por pequenas expressões de verdade.
Para ele, atuar não significa recorrer a grandes demonstrações dramáticas, mas transmitir emoções por meio de detalhes quase imperceptíveis. Essa filosofia acompanhou seus trabalhos no teatro, no cinema e na televisão e, segundo o próprio artista, foi fundamental para a composição de Jesus em “Jesus de Nazaré”.

Recentemente, Powell recebeu o Maximo Excellence Award, prêmio em reconhecimento ao conjunto de sua trajetória artística.
Carreira além de “Jesus de Nazaré”
Embora tenha ficado eternamente associado ao papel de Cristo, Robert Powell construiu uma carreira extensa na televisão, no cinema e no teatro.
Entre seus principais trabalhos estão participações na série Doomwatch, da BBC, na produção médica Holby City, onde permaneceu por seis anos, além de filmes como The Italian Job, The Jigsaw Man, The Thirty Nine Steps e Mahler, dirigido por Ken Russell.
Curiosamente, o ator revelou que recebeu uma remuneração relativamente modesta por “Jesus de Nazaré”. Segundo ele, o produtor Lew Grade afirmou, na época, que o papel mudaria sua vida para sempre — justificando que o impacto da obra compensaria um pagamento menor.











