Quando se fala nos extremos do planeta, o Monte Everest costuma ser a primeira referência. Com 8.849 metros de altitude, a montanha localizada na cordilheira do Himalaia, entre o Nepal e o Tibete, é o ponto mais alto da Terra. No entanto, poucos sabem que o ponto mais profundo do planeta ultrapassa essa marca com folga.
A Fossa das Marianas, situada no noroeste do Oceano Pacífico, alcança cerca de 10.984 metros de profundidade em seu ponto mais conhecido, o Challenger Deep. Isso significa que, se o Everest fosse colocado dentro da fossa, seu cume ainda permaneceria mais de 2 mil metros abaixo da superfície do mar.

O Monte Everest foi identificado como a montanha mais alta do mundo em 1856, durante o Grande Levantamento Trigonométrico realizado pelos britânicos no subcontinente indiano. A montanha recebeu esse nome em homenagem ao geógrafo George Everest, ex-chefe do serviço de cartografia da Índia.
Conhecido como Chomolungma no Tibete e Sagarmatha no Nepal, o Everest tornou-se um dos maiores símbolos do montanhismo mundial. A primeira ascensão registrada ocorreu em 1953, quando o neozelandês Edmund Hillary e o guia sherpa Tenzing Norgay alcançaram o topo da montanha.
Os sherpas, povo originário da região do Himalaia, desempenham papel fundamental nas expedições. Além de sua experiência em escaladas, estão adaptados naturalmente às baixas concentrações de oxigênio encontradas em grandes altitudes, tornando possível a logística de muitas expedições ao Everest.
Fossa das Marianas permanece cercada de mistérios
Enquanto o Everest desafia alpinistas, a Fossa das Marianas representa um dos ambientes mais extremos do planeta para a ciência. A depressão oceânica foi descoberta em 1875 durante uma expedição do navio britânico HMS Challenger, quando a profundidade ainda era medida com cabos e pesos.
Localizada na região onde a placa tectônica do Pacífico mergulha sob a placa das Filipinas, a fossa já foi medida diversas vezes por equipamentos modernos, como ecobatímetros, sondas e veículos submarinos operados remotamente. As estimativas variam entre 10.900 e 11.034 metros, sendo a medição de aproximadamente 10.984 metros uma das mais aceitas atualmente.
Desde 2009, grande parte da área integra o Monumento Nacional Marinho da Fossa das Marianas, uma zona protegida destinada à preservação ambiental e à pesquisa científica.
Ambiente extremo desafia pesquisadores
No fundo da Fossa das Marianas, a luz solar nunca chega. A temperatura permanece poucos graus acima de zero e a pressão da água é aproximadamente mil vezes maior do que a pressão atmosférica ao nível do mar, chegando a cerca de oito toneladas por polegada quadrada.
Essas condições fizeram com que, durante décadas, cientistas acreditassem que nenhuma forma de vida poderia sobreviver naquela profundidade.
A primeira missão tripulada ao Challenger Deep aconteceu em 1960, quando Jacques Piccard e o tenente da Marinha dos Estados Unidos Don Walsh desceram a bordo do batiscafo Trieste. Após cerca de cinco horas de descida, permaneceram apenas 20 minutos no fundo do oceano, tempo suficiente para registrar indícios de organismos vivos e abrir novas perspectivas para a pesquisa científica.
Novas descobertas ainda podem surgir
Mesmo após décadas de estudos, os pesquisadores reconhecem que conhecem apenas uma pequena parte da biodiversidade existente na Fossa das Marianas. Expedições recentes encontraram anfípodes semelhantes a pequenos camarões, holotúrias translúcidas e diversos microrganismos capazes de sobreviver em condições consideradas extremas.
Os cientistas acreditam que esses organismos podem contribuir para avanços nas áreas de biotecnologia, biomedicina e até para a compreensão da origem da vida na Terra. Além disso, o estudo das formações geológicas da região ajuda a entender melhor os terremotos submarinos e os tsunamis que atingem países banhados pelo Oceano Pacífico.








