A Vivo confirmou que pretende iniciar o processo de encerramento da rede móvel de segunda geração (2G) no Brasil, marcando o início do fim de uma tecnologia que há décadas faz parte das telecomunicações no país. Embora ainda não exista um cronograma oficial para o desligamento, a operadora afirma que a meta é desativar o sistema “o quanto antes”, direcionando investimentos para as redes 4G e, principalmente, 5G.
O anúncio foi feito pelo presidente da companhia, Christian Gebara, durante a apresentação dos resultados financeiros da empresa. Segundo o executivo, manter a infraestrutura do 2G em funcionamento gera custos elevados e ocupa frequências que poderiam ser utilizadas para ampliar a capacidade das tecnologias mais modernas.
Apesar da intenção de acelerar o encerramento da rede legada, a Vivo reconhece que ainda existem obstáculos importantes para concluir esse processo.
O principal deles é a grande quantidade de equipamentos corporativos que continuam utilizando exclusivamente o sinal 2G. Entre eles estão rastreadores de veículos, medidores inteligentes de concessionárias de energia, dispositivos de internet das coisas (IoT) e máquinas de cartão mais antigas.
Na avaliação da empresa, esses equipamentos precisarão ser substituídos ou adaptados para operar em redes mais recentes antes que o desligamento definitivo possa ocorrer.
2G será o primeiro a sair de operação
A estratégia da Vivo prevê uma racionalização gradual das tecnologias móveis, começando pela segunda geração.
Embora o plano também envolva, futuramente, as redes 3G e 4G, o executivo destacou que o 4G continuará recebendo investimentos enquanto a cobertura do 5G é ampliada em todo o país.
Segundo Gebara, atualmente os investimentos da companhia estão concentrados principalmente na expansão da quinta geração e, em menor escala, na manutenção da infraestrutura do 4G.
Parceria com a TIM reduz custos
Enquanto o desligamento completo não acontece, Vivo e TIM ampliam a estratégia de compartilhamento de infraestrutura para diminuir despesas operacionais.
No modelo conhecido como RAN Sharing, as duas operadoras dividem o uso das redes em milhares de municípios. Em diversas localidades, apenas uma empresa mantém a infraestrutura ativa, enquanto clientes de ambas utilizam a mesma rede.
No caso específico do 2G, o acordo inicialmente abrangia cerca de 2 mil municípios e já recebeu autorização para incorporar aproximadamente outras 2 mil cidades.
Anatel acompanha transição tecnológica
O processo de modernização também conta com acompanhamento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A agência estuda restringir a homologação de celulares e dispositivos compatíveis apenas com redes 2G e 3G, medida que busca evitar a entrada de novos equipamentos baseados em tecnologias consideradas ultrapassadas.
A intenção é estimular fabricantes e empresas a migrarem para padrões mais recentes, acelerando a modernização da infraestrutura móvel brasileira.
Tecnologia ainda resiste no mercado
Mesmo com a queda expressiva no uso do 2G por consumidores comuns, a tecnologia continua presente em diversos segmentos.
Além dos equipamentos corporativos, aparelhos básicos e de baixo custo ainda chegam ao mercado utilizando exclusivamente o padrão GSM, demonstrando que parte do ecossistema permanece ativa.
Por esse motivo, a Vivo afirma que o encerramento da rede ocorrerá de forma gradual e dependerá da migração desses dispositivos para tecnologias mais modernas.








