Um monitor climático desenvolvido a partir de dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indica que o fenômeno El Niño segue em processo de intensificação e apresenta 98% de probabilidade de persistir até fevereiro de 2027. O cenário acende um alerta para diversas regiões do país, especialmente no Nordeste, onde Alagoas, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Piauí estão entre os estados classificados em nível crítico de risco.
De acordo com o painel de monitoramento, sete estados aparecem na faixa de maior preocupação, enquanto outros 12 estão em nível de alto risco, seis apresentam risco moderado e apenas dois registram baixo impacto previsto ao longo de 2026.
Os efeitos do El Niño já são sentidos em diferentes partes do Brasil. Levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), com base em informações registradas no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD), mostra que 206 municípios brasileiros sofreram impactos relacionados ao fenômeno desde o início de julho.
Entre os dias 1º e 24 do mês, foram decretadas 240 situações de emergência em 13 estados, motivadas por temporais, enchentes, inundações, secas, estiagens e incêndios florestais. Mais de 537 mil pessoas foram afetadas no período.
Os prejuízos estimados chegam a R$ 3,5 bilhões, valor 53,8% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Desse total, cerca de R$ 3,4 bilhões recaem sobre o setor privado.
A seca e a estiagem responderam por mais de 86% das perdas registradas, com maior concentração no Nordeste. Segundo a CNM, 53 municípios da região foram diretamente atingidos pela intensificação desses eventos climáticos. Apenas Sergipe e Maranhão não registraram situações de anormalidade relacionadas ao fenômeno.
Agricultura, energia e inflação estão entre os setores mais afetados
Além dos impactos ambientais, especialistas alertam para reflexos econômicos provocados pelo El Niño. Um relatório divulgado pela XP Investimentos aponta que os efeitos poderão atingir áreas como agricultura, geração de energia, transporte e varejo.
O governo federal já trabalha com a possibilidade de perdas nas safras de arroz e milho e avalia o acionamento de usinas termelétricas para compensar eventual redução na geração hidrelétrica. O custo estimado dessas medidas é de aproximadamente R$ 1,3 bilhão.
Na agricultura, a preocupação envolve principalmente culturas como soja, milho e hortifrutigranjeiros, além dos impactos sobre a pecuária.
Pressão sobre os preços dos alimentos
As projeções indicam que o fenômeno também poderá influenciar a inflação dos alimentos. Segundo os economistas da XP Investimentos, o El Niño pode acrescentar 0,35 ponto percentual ao IPCA em 2026, com impacto de 2,3 pontos percentuais nos preços da alimentação consumida em casa.
Para 2027, a expectativa é de novos efeitos, especialmente sobre frutas, verduras e legumes. A inflação dos alimentos in natura pode atingir um pico próximo de 20% no segundo trimestre de 2027, antes de desacelerar gradualmente até 2028.











