A extinção dos dinossauros, considerada um dos eventos mais devastadores da história da Terra, pode ter sido ainda mais dramática do que se imaginava. Um novo estudo sugere que, logo após a queda do asteroide que formou a Cratera de Chicxulub, na atual Península de Yucatán, no México, uma intensa onda de calor teria incendiado grande parte da vegetação do planeta, matando inúmeros animais nas primeiras horas após o impacto.
A colisão ocorreu há cerca de 66 milhões de anos, no fim do período Cretáceo, marcando a fronteira geológica conhecida como K–Pg, que separa a chamada “Era dos Répteis” da ascensão dos mamíferos. O impacto provocou uma das maiores extinções em massa já registradas, eliminando aproximadamente 75% das espécies existentes na época.
O novo trabalho, publicado na revista científica JGR Biogeosciences, propõe que modelos anteriores subestimaram a quantidade de poeira extremamente fina lançada à atmosfera após o impacto.
Segundo os pesquisadores, parte da rocha vaporizada não se condensou imediatamente em pequenas esferas de material derretido, permanecendo como uma fina camada de poeira rica em silicatos. Evidências desse material foram encontradas inicialmente no sítio fossilífero de Tanis, nos Estados Unidos, e posteriormente identificadas também na Bacia de Raton, na fronteira entre Colorado e Novo México.
Os cientistas calcularam que essa poeira teria funcionado como uma espécie de “cobertor térmico”, intensificando o calor irradiado de volta para a superfície. A estimativa é que o pulso térmico tenha sido cerca de 3,5 vezes mais intenso do que indicavam estudos anteriores.
Com isso, gramíneas, líquens e folhas secas poderiam entrar em combustão rapidamente, alimentando incêndios de grandes proporções. A pesquisa ainda estima que animais terrestres expostos receberam uma dose de calor aproximadamente 17 vezes superior ao limite considerado letal para seres humanos.
Os autores apontam que animais protegidos em tocas subterrâneas ou ambientes aquáticos tiveram maiores chances de sobreviver às primeiras horas após a colisão.

Inverno global continuou sendo decisivo
Depois da onda inicial de calor, a enorme quantidade de poeira lançada à atmosfera teria bloqueado a entrada de luz solar por anos, provocando um intenso resfriamento global conhecido como “inverno de impacto”.
Esse período reduziu drasticamente a fotossíntese, comprometeu cadeias alimentares e consolidou a extinção em massa que marcou o desaparecimento dos dinossauros não aviários.
Apesar da nova hipótese sobre os incêndios, os pesquisadores destacam que o mecanismo geral da extinção permanece o mesmo: o impacto desencadeou uma sequência de eventos climáticos extremos que transformaram completamente o planeta.
Asteroide pode ter sido mais raro do que se pensava
Outro estudo recente, publicado na revista Science Advances, trouxe novas pistas sobre a origem do corpo celeste responsável pela colisão.
A equipe liderada pelo pesquisador Georgy V. Makhatadze, da Universidade da Colúmbia Britânica, analisou isótopos de níquel preservados em camadas de argila na Dinamarca, Espanha e Itália e comparou os resultados com diferentes tipos de meteoritos.
As análises indicam que o objeto provavelmente era um condrito carbonáceo do tipo CO — ou possivelmente CT —, um grupo raro que representa cerca de 5% dos meteoritos desse tipo encontrados na Terra.
Esses meteoritos possuem menor quantidade de água, enxofre e carbono do que se acreditava anteriormente. Segundo os pesquisadores, isso indica que o enxofre presente no próprio asteroide teve papel menor no resfriamento global do que sugeriam modelos antigos. Nesse cenário, a maior parte do bloqueio da luz solar teria sido causada pela gigantesca nuvem de poeira e rochas pulverizadas lançada pela colisão.












