A proposta da FIFA de abrir espaço para investidores privados na gestão comercial de suas principais competições desencadeou uma forte reação no futebol internacional e já coloca em dúvida a organização da Copa do Mundo de 2030. Caso o projeto avance, Espanha e Portugal estudam retirar a candidatura conjunta para sediar o torneio, movimento que acompanha a resistência liderada pela UEFA contra a iniciativa apresentada pelo presidente da entidade, Gianni Infantino.
O plano prevê a criação de uma subsidiária responsável pelos direitos comerciais de torneios como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes. Para obter apoio das 211 associações nacionais filiadas, a FIFA prometeu liberar até US$ 40 milhões (cerca de R$ 220 milhões) para cada federação participante caso a proposta seja aprovada até 19 de setembro, prazo estabelecido pela entidade.
Segundo a FIFA, o projeto pretende criar uma empresa avaliada em cerca de US$ 20 bilhões, da qual 20% seriam destinados a investidores privados. A nova companhia administraria ativos comerciais das principais competições organizadas pela entidade, com a expectativa de captar aproximadamente US$ 10 bilhões em investimentos.
Caso a iniciativa não obtenha aprovação, a FIFA manteria apenas os recursos previstos no programa FIFA Forward Enterprise (FFE), estimados em US$ 2,7 bilhões, destinados ao desenvolvimento do futebol nas federações nacionais.
Na carta enviada às associações, Infantino afirma que a nova estrutura representa uma oportunidade inédita de financiamento, permitindo ampliar investimentos em categorias de base, seleções nacionais e infraestrutura esportiva.
UEFA lidera oposição ao projeto
A proposta, entretanto, encontrou forte resistência entre as principais confederações continentais. A UEFA classificou o plano como uma tentativa de comercializar ativos que pertencem ao futebol mundial e criticou a falta de transparência na condução do processo.
Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, dirigentes europeus discutem inclusive um possível boicote às competições da FIFA, caso o projeto seja implementado nos moldes atuais.
A resistência ganhou força após outras entidades também demonstrarem preocupação. A Confederação Asiática de Futebol (AFC) afirmou que a FIFA ainda não conseguiu construir o consenso necessário para levar adiante uma mudança dessa magnitude. A CONCACAF, responsável pelas seleções da América do Norte, Central e Caribe, também manifestou posicionamento contrário à proposta.
Espanha e Portugal estudam desistir da sede
De acordo com informações publicadas pelo jornal espanhol El Español, Espanha e Portugal avaliam retirar a candidatura conjunta da Copa do Mundo de 2030 caso a UEFA confirme um boicote às competições organizadas pela FIFA.
Os dois países dividem a candidatura com Marrocos, enquanto Uruguai, Argentina e Paraguai receberiam partidas comemorativas em celebração ao centenário da primeira Copa do Mundo.
Embora não exista uma decisão oficial sobre a desistência da sede, a possibilidade amplia a pressão sobre a FIFA em meio às negociações com as federações nacionais.
A votação sobre o projeto deverá ocorrer até 19 de setembro. Para ser aprovado, o plano precisa receber apoio da maioria das associações filiadas.












