O mês de agosto começou sob alerta para extremos climáticos em diferentes regiões do Brasil. A intensificação do fenômeno El Niño deve provocar um cenário de contrastes, com risco de enchentes e temporais em parte do Sul do país, enquanto áreas do Centro-Oeste, Sudeste e interior do Nordeste enfrentam calor acima da média, baixa umidade do ar e possibilidade de agravamento da escassez hídrica.
As projeções do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), da Climatempo e da MetSul apontam que o fenômeno continuará influenciando o clima brasileiro ao longo das próximas semanas. A expectativa é de temperaturas superiores ao normal em praticamente todo o território nacional, com desvios que podem chegar a 2°C em algumas regiões.
O cenário foi reforçado pelo Boletim nº 2 do Painel El Niño 2026-2027, elaborado pelo Inmet em parceria com diversos órgãos federais, entre eles o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
Segundo o documento, existe 81% de probabilidade de o El Niño permanecer em intensidade muito forte pelo menos até o início de 2027. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial acima da média histórica e, em episódios mais intensos, pode ultrapassar 2°C de anomalia, alterando os regimes de chuva e temperatura em diversas partes do planeta.
Sul segue sob risco de temporais e enchentes
As previsões indicam que os três estados da Região Sul devem registrar volumes de chuva acima da média durante agosto.
O maior alerta permanece para o Rio Grande do Sul, que já enfrentou enchentes durante julho e pode voltar a registrar episódios de chuva intensa, acompanhados por temporais, ventos fortes e queda de granizo. Paraná e Santa Catarina também devem receber precipitações acima da média, favorecidas pelo encontro entre massas de ar frio e quente.
Segundo a MetSul, não estão descartados novos episódios de chuva volumosa capazes de elevar significativamente os acumulados do mês.
Centro-Oeste e Sudeste terão calor e baixa umidade
Enquanto isso, boa parte do Centro-Oeste e do Sudeste deve enfrentar uma situação oposta.
Apesar da passagem eventual de frentes frias, a tendência é de predomínio de tempo seco, temperaturas elevadas e umidade relativa do ar inferior a 20% em diversas localidades. O cenário aumenta a preocupação com queimadas, problemas respiratórios e redução dos níveis de reservatórios em algumas regiões.
No Centro-Oeste, cidades como Cuiabá poderão registrar temperaturas próximas ou superiores aos 40°C, segundo as projeções meteorológicas.
Mesmo com o predomínio da estiagem, alguns sistemas frontais poderão provocar chuvas isoladas ao longo do mês, fazendo com que determinadas áreas encerrem agosto com volumes acima da média histórica.
Norte e Nordeste terão comportamento diferente
Na Região Nordeste, a previsão aponta predomínio de tempo seco no interior, enquanto as chuvas devem se concentrar principalmente na faixa litorânea entre o sul da Bahia e o Rio Grande do Norte.
Já na Região Norte, o comportamento será mais irregular. Estados como Pará, Rondônia e Acre têm previsão de chuva acima da média, enquanto áreas do norte do Amazonas e de Roraima devem registrar precipitações abaixo do esperado.
Fenômeno aumenta risco de eventos extremos
Especialistas destacam que agosto marca a transição entre o inverno e a primavera, período naturalmente caracterizado pela alternância entre massas de ar frio e quente. Neste ano, porém, o fortalecimento do El Niño tende a potencializar esse comportamento, aumentando a ocorrência de eventos climáticos extremos.
Além do risco de enchentes e temporais no Sul, o fenômeno favorece ondas de calor, estiagens prolongadas, baixa umidade do ar e impactos sobre os recursos hídricos, a agricultura e a ocorrência de desastres naturais em diferentes partes do país ao longo dos próximos meses.












