O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou durante a convenção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), realizada no último domingo (2) que oficializou a candidatura à reeleição para a Presidência da República que não deseja receber o voto de homens que praticam violência contra mulheres. No discurso, Lula voltou a colocar o enfrentamento ao feminicídio e à violência de gênero como uma das prioridades de sua campanha.
Em uma das falas mais enfáticas do evento, o presidente declarou que quem agride mulheres não compartilha dos princípios defendidos pelo projeto de governo. “Se bater na mulher, não precisa votar em mim”, afirmou diante dos apoiadores.
Ao abordar o tema, Lula reconheceu que o Brasil ainda está distante de eliminar os casos de violência contra as mulheres, mas afirmou que seu governo tem implementado medidas para ampliar a proteção das vítimas e responsabilizar os agressores.

Segundo o presidente, o enfrentamento desse tipo de crime exige um esforço contínuo da sociedade e do Estado. Em tom simbólico, ele comparou esse processo ao relato bíblico da criação do mundo, afirmando que a tarefa de combater a violência só estará concluída quando não houver mais pessoas praticando esse tipo de crime.
Lula também criticou a cultura machista e disse que relações afetivas devem ser baseadas em respeito, igualdade e companheirismo. Durante o pronunciamento, ressaltou que nenhuma pessoa pode tratar outra como propriedade e condenou a ideia de posse sobre companheiras e esposas.
Campanha também mira vitória no primeiro turno
Além das pautas sociais, o presidente voltou a defender o objetivo de vencer as eleições já no primeiro turno. Em outro momento da convenção, Lula fez referência à própria idade, 80 anos, e brincou ao comparar a si mesmo e ao vice, Geraldo Alckmin, a “duas garrafas de vinho da melhor qualidade”, afirmando que espera encerrar a disputa eleitoral já na votação de outubro.
Nos bastidores, segundo relatos de interlocutores, o presidente avalia que a eleição será disputada e tem orientado aliados a evitar qualquer clima de “já ganhou”. A estratégia da campanha passa por conquistar eleitores ainda indecisos e reduzir a quantidade de votos brancos e nulos.
Pesquisas recentes mostram redução da diferença entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial. Em alguns levantamentos, a disputa no segundo turno aparece tecnicamente empatada dentro da margem de erro, enquanto o presidente busca ampliar sua base eleitoral para tentar alcançar uma vitória ainda na primeira etapa da eleição.












