No próximo dia 12 de agosto, cientistas de diversos países voltarão os olhos para um dos eventos astronômicos mais aguardados dos últimos anos: um eclipse solar total que poderá ser observado em uma faixa do norte da Espanha e de outras regiões da Europa. Durante o fenômeno, a Lua encobrirá completamente o disco solar por até 1 minuto e 40 segundos em algumas localidades, criando um breve período de escuridão que servirá como um laboratório natural para novas pesquisas sobre o Sol.
Apesar de o fenômeno provocar um “apagão” temporário apenas nas áreas localizadas na faixa de totalidade do eclipse, e não em todo o planeta, os dados coletados poderão ampliar o conhecimento sobre o comportamento da estrela responsável pela vida na Terra.
Com a intensa luz solar bloqueada pela Lua, pesquisadores conseguirão analisar diretamente a coroa solar e a cromosfera, camadas externas do Sol que normalmente ficam ofuscadas pelo brilho da estrela.
Segundo o astrônomo Alain Sachabrun, da Comissão de Energia Atômica da França (CEA), o eclipse representa uma oportunidade rara para compreender melhor o campo magnético solar, a dinâmica do plasma e os processos físicos responsáveis pela atividade da estrela ao longo de seu ciclo natural.
A coroa solar pode atingir temperaturas próximas de 2 milhões de graus Celsius e se estende por cerca de 10 milhões de quilômetros além da superfície do Sol.

Tempestades solares estarão no foco das pesquisas
Outro objetivo da missão científica é entender melhor como surgem as tempestades solares e aperfeiçoar sua previsão.
Esses fenômenos liberam partículas carregadas que podem atingir o campo magnético terrestre, afetando satélites, espaçonaves, sistemas de comunicação, redes elétricas e tecnologias de navegação. As auroras observadas nas regiões polares também são consequência dessa interação entre o vento solar e a atmosfera da Terra.
A Agência Espacial Europeia (ESA) informou que utilizará o eclipse para estudar a estrutura do vento solar e aprimorar modelos de previsão desses eventos. Segundo a diretora de Ciência da agência, Carole Mundell, compreender a formação das tempestades solares é atualmente uma das principais prioridades da pesquisa espacial.
Os eclipses solares têm desempenhado um papel importante na evolução da ciência. Em 29 de maio de 1919, durante um eclipse observado na ilha de Príncipe, na costa oeste da África, o astrônomo britânico Arthur Eddington confirmou experimentalmente a Teoria da Relatividade Geral, de Albert Einstein.
Na ocasião, ele verificou o desvio da luz das estrelas causado pela gravidade do Sol, fenômeno conhecido como lente gravitacional, possível de ser observado apenas porque a intensa luminosidade solar estava temporariamente bloqueada.
Missões espaciais acompanham o Sol continuamente
Além das observações realizadas durante o eclipse, diversas missões continuam monitorando a atividade solar. A sonda Solar Orbiter, lançada pela ESA em 2020, coleta dados sobre o ambiente ao redor do Sol, enquanto a missão Proba-3 cria eclipses artificiais no espaço para permitir estudos prolongados da coroa solar.
A agência também desenvolve a futura missão Meso, que pretende observar o Sol por períodos ainda maiores utilizando a sombra da Lua como auxílio para as pesquisas.
O eclipse terá duração total de aproximadamente 1 hora e 50 minutos, considerando todas as fases do fenômeno, embora a totalidade dure cerca de 1 minuto e 40 segundos em alguns pontos do trajeto.
Especialistas alertam que não é seguro olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada. A recomendação é utilizar óculos certificados conforme a norma ISO 12312-2 ou recorrer a métodos indiretos de observação, como a projeção por orifício (pinhole), evitando danos permanentes à retina.












