O baiacu é abundante no litoral de São Paulo. No Japão, porém, vira prato de luxo e pode custar aproximadamente R$ 1,5 mil em restaurantes sofisticados.
No Brasil, muitos pescadores jogam o peixe de volta ao mar para não arriscar a vida por uma refeição. O motivo do medo é a tetrodotoxina (TTX), substância que se acumula no organismo do animal por meio de bactérias e pode matar.
Não existe antídoto conhecido contra essa toxina, o que torna o consumo do peixe extremamente arriscado. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio de nota do Instituto de Pesca, também tratou do tema.
Toxina do baiacu resiste ao calor e ao congelamento
A tetrodotoxina bloqueia os canais de cálcio nas células nervosas e, segundo neurologistas, provoca paralisia muscular que pode levar à parada respiratória e cardíaca. Não existe antídoto específico; o tratamento mantém a vítima viva até o corpo eliminar a substância naturalmente.
De acordo com biólogos, o veneno se concentra principalmente na pele, nas gônadas e no fígado do animal. A espécie comestível consumida pelos japoneses, chamada fugu, é restrita aos mares do Japão e da China.
A costa brasileira abriga pelo menos 15 espécies diferentes, todas com tetrodotoxina no organismo, embora em quantidades variáveis conforme a espécie.
Por que o peixe volta para o mar
Em Santos, devolver baiacus à água é rotina entre pescadores, pois muitos mordem o anzol e a captura virou sinônimo de má sorte. De acordo com biólogos, faltam profissionais capacitados para preparar o peixe com segurança no Brasil, ao contrário do que ocorre na Ásia Oriental.
Cerca de 200 espécies de baiacu existem no mundo, das quais pelo menos 15 ocorrem no Brasil. São animais solitários, que não se deslocam em cardume e são capturados de forma aleatória pelos pescadores.
A marca registrada do baiacu é a capacidade de inflar o próprio corpo como defesa. Ao fazer isso, o animal engole água quando está no mar ou ar quando é retirado dele.












