A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos ganhou um novo capítulo após o governo norte-americano revogar o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti. A decisão elevou a tensão entre os dois países e levou o ex-ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes Ferreira a afirmar que o Brasil está “sob ataque” dos Estados Unidos, em meio ao atual cenário político internacional.
Segundo Aloysio Nunes, que comandou o Itamaraty durante o governo Michel Temer, a atitude da administração norte-americana representou uma “grosseria” e uma “provocação direta” contra o Brasil. Em entrevista à CNN Brasil, o ex-chanceler declarou que o país enfrenta pressões externas coordenadas.
“O Brasil está sob ataque de Milei de um lado e sob ataque dos Estados Unidos de outro, numa concertação da direita latino-americana”, afirmou.
Impasse começou com indicação do novo embaixador
A crise diplomática está relacionada ao atraso do governo brasileiro em conceder o agrément, autorização oficial necessária para que um embaixador estrangeiro assuma as funções, ao indicado pelo presidente Donald Trump para representar os Estados Unidos em Brasília, Daniel Perez.

De acordo com informações da BBC junto a fontes do Departamento de Estado, os dois governos mantiveram diálogo durante várias semanas antes da adoção da medida. Segundo os norte-americanos, o Brasil teve diversas oportunidades para resolver a situação, mas teria adiado a decisão e criado obstáculos ao processo.
Ainda conforme o governo dos Estados Unidos, a revogação do visto da diplomata brasileira não representa uma declaração formal de persona non grata, embora o Departamento de Estado tenha ressaltado que outras medidas diplomáticas permanecem disponíveis caso o impasse continue.
Especialistas divergem sobre responsabilidades
Na avaliação do professor de relações internacionais da Florida International University, Guilherme Casarões, a decisão norte-americana representa mais um instrumento de pressão sobre o governo brasileiro.
Segundo o especialista, a medida busca aumentar o custo diplomático para que Brasília reveja sua posição em relação ao representante indicado pelos Estados Unidos.
Entretanto, a interpretação não é consenso entre diplomatas. Em entrevista ao jornal O Globo, o ex-embaixador do Brasil em Washington Rubens Ricupero avaliou que o próprio Itamaraty contribuiu para o agravamento da crise ao demorar para conceder o agrément solicitado pelos norte-americanos.












