O Brasil ocupa apenas a sétima posição no ranking dos maiores salários mínimos da América do Sul em 2026. O levantamento, elaborado pelo jornal Valor, comparou os pisos salariais vigentes nos países da região convertidos para dólares americanos com base na cotação de fechamento de 4 de agosto.
Apesar dos reajustes promovidos nos últimos anos, o salário mínimo brasileiro continua distante dos líderes do continente. Atualmente fixado em R$ 1.621, o piso nacional aparece atrás de Uruguai, Chile, Colômbia, Paraguai, Equador e Peru.
No topo da lista está o Uruguai, cujo salário mínimo mensal corresponde a US$ 630,94. Em seguida aparecem o Chile, com US$ 606,53, e a Colômbia, com US$ 546,46.
Na outra ponta do ranking está a Venezuela. Desde março de 2022, o salário mínimo oficial permanece congelado em 130 bolívares, valor que atualmente equivale a menos de US$ 0,30. Para efeito da comparação, entretanto, foi considerada a chamada renda mínima integral, estimada em US$ 240, que inclui bonificações pagas aos trabalhadores.
Ranking dos salários mínimos na América do Sul
Considerando a conversão para dólares, o levantamento apresenta a seguinte classificação:
- Uruguai – US$ 630,94
- Chile – US$ 606,53
- Colômbia – US$ 546,46
- Paraguai – US$ 508,43
- Equador – US$ 482,00
- Peru – US$ 383,29
- Brasil – US$ 317,51
- Bolívia
- Argentina
- Suriname
- Guiana
- Venezuela (considerando a renda mínima integral de US$ 240)
A Guiana Francesa não foi incluída na comparação por ser um território ultramarino da França, e não um país independente.
Entre os países da região, o Equador chama atenção por utilizar oficialmente o dólar americano como moeda desde os anos 2000. A mudança ocorreu após uma grave crise econômica e inflacionária que levou ao abandono do sucre.
Governo prevê novo reajuste em 2027
O governo federal trabalha com a previsão de elevar o salário mínimo brasileiro de R$ 1.621 para R$ 1.717 em 2027. A estimativa representa um reajuste nominal de 5,92% e considera um ganho real de 2,5% acima da inflação, conforme projeção do Ministério do Planejamento e Orçamento.
O valor definitivo, no entanto, ainda depende da divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado até novembro e da publicação do decreto presidencial que oficializará o novo piso.
A política permanente de valorização do salário mínimo foi restabelecida pela Lei nº 14.663/2023. Pela regra, o reajuste combina a inflação medida pelo INPC com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, respeitando o limite de ganho real de 2,5% previsto pelo novo arcabouço fiscal.
Piso nacional influencia milhões de brasileiros
O salário mínimo serve de referência não apenas para trabalhadores contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), mas também para diversos benefícios sociais e previdenciários.
Entre eles estão aposentadorias e pensões do INSS, seguro-desemprego, abono salarial PIS/Pasep e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Segundo o governo, cerca de 62% das aposentadorias e pensões pagas pelo INSS, o equivalente a aproximadamente 22 milhões de benefícios, correspondem exatamente ao valor do salário mínimo. Por isso, qualquer reajuste no piso nacional provoca impacto direto nas despesas da Previdência Social.











