Os óculos inteligentes da Meta começaram a enfrentar restrições em diferentes estabelecimentos do Reino Unido por causa de preocupações relacionadas à privacidade. O acessório, que permite registrar imagens e vídeos a partir da perspectiva do usuário, passou a ser proibido em restaurantes, bares, teatros e eventos após clientes e funcionários demonstrarem preocupação com a possibilidade de serem filmados sem autorização.
O dispositivo chegou a ser promovido pela celebridade Kylie Jenner como uma alternativa tecnológica de uso cotidiano, em uma tentativa de alcançar popularidade semelhante à obtida anteriormente por tablets e smartwatches. No entanto, a estratégia enfrenta resistência no Reino Unido, onde estabelecimentos passaram a estabelecer regras específicas contra os óculos.
Vendidos por até £359 (cerca de R$ 2100), os dispositivos permitem realizar gravações sem que necessariamente as pessoas ao redor percebam imediatamente que estão sendo filmadas. É justamente essa característica que provocou a reação de empresários e organizadores de eventos.

Entre os estabelecimentos que passaram a restringir o uso dos óculos está o grupo de restaurantes comandado pelo empresário Jeremy King, proprietário de locais londrinos como Simpsons in the Strand, Arlington e The Park.
A preocupação se estende aos funcionários dos estabelecimentos. A possibilidade de alguém registrar imagens discretamente, sem informar às pessoas filmadas, é apontada como incompatível com as políticas de privacidade adotadas por diversos negócios.
A Soho House também confirmou que sua política de proibição de gravações se aplica aos óculos inteligentes. Membros e convidados que estiverem utilizando o equipamento poderão ser orientados a retirá-lo.
A rede de pubs Wetherspoons adotou uma posição semelhante. Segundo o presidente-executivo, Tim Martin, as regras internas já proíbem clientes de filmar funcionários ou outros frequentadores sem autorização.
Teatros e eventos também entram na lista
As restrições não ficaram limitadas a restaurantes e bares. A ATG Theatres, responsável por administrar teatros em Londres, Bristol e Edimburgo, confirmou a proibição dos dispositivos.
Quem for identificado usando os óculos durante as apresentações poderá ser solicitado a removê-los.
A medida também chegou ao setor de eventos. A Monopoly Events, empresa responsável pela organização da Comic-Con no Reino Unido, decidiu proibir os óculos depois de receber relatos de visitantes que demonstraram resistência em retornar a eventos após terem sido filmados sem consentimento.
A partir de agora, pessoas identificadas utilizando dispositivos de gravação poderão ser retiradas do local.
A discussão ganhou ainda mais força depois de um episódio envolvendo um usuário do TikTok que teria utilizado os óculos para filmar integrantes da tripulação de uma balsa durante um passeio pelo Loch Seaforth, na Escócia.
O episódio provocou uma reação que chegou a interromper temporariamente as operações da embarcação. O caso também passou a ser investigado pelas autoridades.
Pesquisadores também analisam gravações feitas em público
A preocupação com gravações não autorizadas usando dispositivos vestíveis ocorre paralelamente a estudos sobre vídeos registrados em espaços públicos.
Pesquisadores da Universidade de Sydney analisaram 350 vídeos públicos publicados no Instagram entre 2023 e 2026. O material mostrava homens classificados como integrantes do movimento de pick-up artists abordando mulheres em espaços públicos.
Segundo a análise, aproximadamente 60% dos vídeos gravados de forma discreta e em primeira pessoa apresentavam comportamentos classificados como potencialmente assediadores. Em diversos registros, mulheres demonstravam desconforto ou recusavam a interação, enquanto a gravação e a abordagem continuavam.












