O governo da Austrália aprovou um reajuste de 4,75% para milhões de trabalhadores que recebem salários definidos por acordos mínimos de determinadas categorias. A decisão foi anunciada pela Fair Work Commission (FWC), tribunal responsável pela revisão anual dos pisos trabalhistas do país, e passou a valer a partir de 1º de julho de 2026.
Na Austrália, a medida alcança aproximadamente 2,8 milhões de trabalhadores remunerados por valores mínimos estabelecidos para diferentes setores e ocupações. Para os trabalhadores que recebem o piso nacional geral, o aumento foi ainda maior, de 5,97%.
O salário mínimo australiano para adultos passou de 24,95 para 26,44 dólares australianos por hora. Segundo a FWC, cerca de 100 mil dos trabalhadores com menores rendimentos serão beneficiados diretamente pela elevação.
Para uma jornada de 38 horas semanais, o rendimento passa de aproximadamente 948 para pouco menos de 1.005 dólares australianos por semana.
Reajuste supera a inflação australiana
A decisão ocorre em um cenário de inflação elevada na Austrália. Dados oficiais divulgados em maio apontaram uma inflação anual de 4,2% em abril, enquanto as projeções apresentadas pelo governo no orçamento para 2026-2027 indicavam que o índice poderia chegar a 5% em junho.
O governo federal havia defendido durante a revisão que os trabalhadores que recebem o salário mínimo e aqueles enquadrados nos chamados award wages obtivessem um aumento acima da inflação.
A decisão foi recebida positivamente pelo governo e pelos sindicatos. A principal entidade representativa dos empregadores, entretanto, alertou que o reajuste pode representar uma pressão significativa para pequenas empresas, especialmente aquelas com menor capacidade financeira para absorver o aumento dos custos trabalhistas.
Como está o salário mínimo no Brasil
No Brasil, o cenário é diferente. O salário mínimo vigente em 2026 é de R$ 1.621, e não houve reajuste de 4,75% para o restante do ano.
O que está em discussão é o valor projetado para 2027. Conforme o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, o piso poderá chegar inicialmente a R$ 1.717, caso a previsão seja confirmada durante a elaboração do Orçamento.
O valor, porém, ainda não é definitivo. O número previsto no PLDO funciona como uma estimativa inicial e pode ser alterado até a definição oficial do salário mínimo.
A estimativa também está distante do valor considerado necessário pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para uma família de quatro pessoas.
Em junho de 2026, o Dieese calculou que seriam necessários aproximadamente R$ 8.111 para cobrir despesas básicas de uma família, incluindo alimentação, moradia, saúde, educação, transporte e higiene.
O montante equivale a cerca de cinco vezes o salário mínimo brasileiro atual, de R$ 1.621, evidenciando a diferença entre o piso oficial e o custo estimado para atender às necessidades básicas de uma família.
Regra brasileira considera inflação e crescimento da economia
O mecanismo utilizado no Brasil para definir o reajuste do salário mínimo considera a inflação medida pelo INPC acumulado até novembro do ano anterior e o crescimento real do PIB de dois anos antes.
A política de valorização permanente foi estabelecida pela Lei nº 14.663/2023 e busca garantir não apenas a reposição da inflação, mas também ganho real para os trabalhadores.
Desde 2025, entretanto, o ganho real está submetido a um limite de 2,5% acima da inflação, conforme as regras estabelecidas pela Lei nº 15.077/2024. A restrição está relacionada ao limite de crescimento das despesas públicas previsto no arcabouço fiscal.
Na prática, o cálculo procura preservar o poder de compra do trabalhador sem permitir que o aumento real do salário mínimo ultrapasse o limite estabelecido para as despesas do governo.











