O Santander entrou na Justiça para cobrar uma empresa de mineração de cobre que enfrentava uma grave crise financeira no Chile. O caso envolve a Minera Cobre Verde, controlada pelo empresário francês Franck Yves Lançon, que tentou recorrer a um processo de reorganização judicial para preservar suas operações, mas acabou declarada em falência após não conseguir estruturar o pagamento das dívidas.
A companhia, voltada ao segmento de resíduos e produção mineral, acumulava passivos de 27,251 bilhões de pesos chilenos, conforme informações apresentadas durante o processo que tramitou no 28º Juizado Civil de Santiago.
A crise culminou na liquidação dos ativos da empresa, incluindo uma estrutura de mineração localizada na região de Antofagasta e uma planta de processamento de cobre com capacidade para produzir até 10 mil toneladas de cátodos por ano.
Crise começou com cobrança de apenas 94 milhões de pesos
O processo de deterioração financeira ganhou um capítulo decisivo em 21 de abril de 2025, quando a empresa de factoring Factotal pediu a liquidação forçada da Cobre Verde devido ao não pagamento de cinco faturas.
O valor das cobranças somava apenas 94 milhões de pesos chilenos, mas a inadimplência acabou desencadeando uma crise que posteriormente levou a companhia à falência.
Em julho daquele ano, a mineradora apresentou um pedido de reorganização judicial ao 28º Juizado Civil de Santiago. O objetivo era proteger a continuidade das operações, reorganizar as obrigações financeiras e evitar a liquidação dos ativos.
O pedido foi aceito inicialmente em 7 de agosto de 2025, permitindo que a empresa tentasse negociar uma saída para a crise.
A estratégia, entretanto, não conseguiu ser concretizada.
Reorganização não consegue evitar a liquidação
Após a tramitação do processo, a assembleia realizada em 23 de janeiro de 2026 resultou no avanço da liquidação dos bens da companhia. Com isso, a estrutura da operação de cobre passou a ser destinada à venda forçada para pagamento dos credores.
Entre os ativos estavam instalações industriais e mineradoras consideradas relevantes para a atividade na região.
A Cobre Verde possuía a mina Rayrock, que deu origem ao nome original da companhia, além de uma antiga planta de eletroextração conhecida como SX-EW.
A estrutura tinha capacidade instalada para produzir até 10 mil toneladas anuais de cátodos de cobre e contava com circuitos de aglomeração e lixiviação que poderiam ser ampliados.
A operação está localizada a aproximadamente 40 quilômetros do porto de Antofagasta, uma posição considerada estratégica para o transporte da produção mineral.
Empresa tinha capital de 43,5 bilhões de pesos
O tamanho da estrutura da companhia contrastava com a deterioração de suas finanças.
Em agosto de 2024, a Cobre Verde havia declarado capital de 43,543 bilhões de pesos chilenos. A empresa também mantinha um acordo de venda de cobre com a canadense Electric Royalties, conhecido no setor como contrato de offtake.
Mesmo com ativos relevantes e perspectivas comerciais para sua produção, a empresa não conseguiu gerar recursos suficientes para cumprir seus compromissos financeiros.
A deterioração da situação levou à abertura do processo de reorganização e, posteriormente, à falência.












