A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) quer reduzir o uso excessivo do VAR nas principais competições do futebol europeu. Roberto Rosetti, chefe de arbitragem da entidade, reuniu árbitros das principais ligas do continente e defendeu uma utilização mais criteriosa da tecnologia, com intervenções restritas a erros considerados graves. A orientação, porém, não significa o fim do VAR, mas uma mudança na maneira como a ferramenta deve ser utilizada durante as partidas.
Ex-árbitro e responsável por comandar a final da Eurocopa de 2008, Rosetti demonstrou preocupação principalmente com as chamadas revisões microscópicas, que podem interromper o jogo por situações de pouca relevância. Para o italiano, a interpretação dos lances precisa considerar o contexto da partida.
“Queremos evitar situações microscópicas. O contexto é muito importante. Isto é futebol, não é PlayStation. Temos de ter muito cuidado”, afirmou.
A preocupação também está relacionada ao comportamento dos próprios jogadores. Segundo Rosetti, o excesso de intervenções estaria fazendo com que alguns atletas tentassem provocar determinadas situações em campo para conseguir uma revisão do VAR.
Uefa mantém regra diferente da Copa do Mundo
Além de defender uma utilização mais moderada do VAR, a Uefa decidiu não implementar uma das novas regras de arbitragem utilizadas na Copa do Mundo de 2026.
A alteração permite que o VAR intervenha quando um cartão amarelo é aplicado ao jogador errado. Nessa situação, a arbitragem pode revisar o lance, retirar a advertência do atleta que foi punido equivocadamente e direcioná-la ao jogador responsável pela infração.
A Uefa optou por não adotar o procedimento em suas principais competições, incluindo Champions League, Europa League, Conference League, Eurocopa e Liga das Nações. A informação foi divulgada pelo jornal britânico The Times.
A regra ganhou visibilidade justamente durante a Copa do Mundo de 2026, nas quartas de final entre Argentina e Suíça. Na ocasião, a arbitragem utilizou o VAR para corrigir um erro de identificação envolvendo um cartão amarelo. A revisão também teve impacto sobre a situação disciplinar dos jogadores envolvidos na partida.
Tempo de jogo preocupa arbitragem
Para Rosetti, o problema não está apenas na existência da tecnologia, mas na frequência com que ela é acionada. O dirigente criticou o tempo perdido durante as checagens e defendeu que o VAR volte a exercer sua função principal: corrigir erros claros e importantes que possam alterar o resultado ou o andamento de uma partida.
Os números da temporada 2025-26 ajudam a explicar a diferença de abordagem entre as competições. Na Premier League, a taxa de intervenção do VAR foi de 0,29 por partida, a menor entre as principais ligas europeias. Na Champions League, o índice chegou a 0,47 intervenção por jogo.
A diferença mostra que não existe uma utilização uniforme da tecnologia entre os campeonatos. Rosetti considera que o excesso de revisões também pode influenciar o comportamento dos atletas, aumentando as tentativas de provocar decisões que possam ser analisadas posteriormente pelo vídeo.
Mão na bola continua sendo um dos principais problemas
Outro ponto destacado pelo chefe de arbitragem da Uefa é a dificuldade de estabelecer uma interpretação uniforme para determinadas infrações. O caso mais evidente é o toque de mão na bola, que continua gerando diferentes entendimentos entre os campeonatos nacionais.
Na última temporada, a Premier League apresentou a interpretação mais permissiva entre as principais ligas, com um pênalti por toque de mão a cada 17,27 partidas. Na Bundesliga alemã, a média foi de uma penalidade a cada 10,93 jogos.
Na La Liga espanhola, houve um pênalti a cada 10,56 partidas, enquanto a Serie A italiana registrou um a cada 10 jogos. Na Ligue 1 francesa, a frequência foi ainda maior, com uma penalidade a cada 9,27 partidas.
Na Champions League, o número chegou a um pênalti a cada sete jogos, a maior frequência entre as competições analisadas.
Para tentar diminuir essas diferenças, a Uefa disponibilizou no sistema Clear Line diversos exemplos em vídeo de situações envolvendo toque de mão, explicando quais circunstâncias devem ser consideradas infração.











